Nutrição - 31.05.2017

Dez gramas a mais no 7º dia podem representar até 100 gramas a mais no peso final

Atenção em pontos como qualidade da água e ração, conforto térmico e manejo adequado fazem toda a diferença nos resultados finais

- Arquivo/OP Rural

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O produtor que busca por uma boa produção tende a prestar atenção em todos os detalhes na criação dos seus animais. Um quesito que não pode passar despercebido é a importância dos cuidados dados aos pintinhos na primeira semana. Com necessidades diferentes de frangos, os pintinhos na primeira semana possuem condições fisiológicas, metabólicas e anatômicas bem distintas de frangos. Prestar atenção em manejo, alimentação e qualidade da água faz total diferença nos resultados finais do peso de abate. Para falar mais sobre o assunto, o professor doutor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus de Realeza, PR, Antonio Carlos Pedroso, tratou da “Importância do manejo e qualidade intestinal na primeira semana sobre o peso de abate”, durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó, SC.

Segundo Pedroso, especificadamente quando se fala na primeira semana, o produtor recebe a ave, e por mais que veja pintinhos, o pensamento já está em frangos pesados ao abate com uma boa conversão alimentar e ótima renda. “O produtor deve ter consciência que pintinhos não são frangos pequenos, são aves que têm nos primeiros dias de vida condições distintas dos frangos”, avisa. O professor acrescenta que em cima dessas condições diferenciadas, as exigências das aves são outras e pedem por práticas nutricionais e de manejos distintos. “Quando se conversa com os produtores sobre qual a principal atenção deve-se dar na criação de primeira semana a escolha da maioria será o aquecimento. Mas, um dos maiores equívocos é depositar no controle da temperatura a responsabilidade para o sucesso da produção”, alerta. Pedroso explica que as temperaturas ambientais de sensação para os pintinhos por faixa de idade, que também levam em consideração a umidade, estão muito bem definidas pelas linhagens comerciais, já que há os centros de pesquisa que conseguem definir o “ótimo” em locais avaliativos totalmente controlados, explorando o máximo do potencial genético.

Para o professor, são muitos os detalhes nas outras variáveis que formam o manejo, e que inclusive a associação entre eles, muitas vezes, intensifica o mal manejo. “O manejo não pode estar focado somente em fornecer uma temperatura de cama e ambiente ideal, o produtor tem que partir do princípio que os pintinhos têm que comer, beber e respirar bem”, conta. Pedroso esclarece que este “bem” é se alimentar em densidade adequada sem disputa por equipamentos de água e ração, regulagens e vazões adequadas sem desperdícios e água em total qualidade microbiológica, física e química. “A mesma água que os pintinhos bebem, o produtor pode beber também. Se ele não tem coragem de beber, algo está errado”, alerta.

Outro ponto destacado pelo professor é a necessidade de o pintinho também respirar bem, tendo renovação de ar, incluindo oxigênio e retirando gases indesejáveis, principalmente amônia e gás carbônico. “Um dos principais efeitos negativos do excesso de gás carbônico - acima de 3000ppm - é causar sonolência nas aves, e consequentemente menor atividade e estímulo para buscar o alimento”, avisa. Pedroso fala que o índice desejado de níveis de amônia é com patamares abaixo de 10ppm, já que seus efeitos indesejáveis são presença de conjuntivite, cegueira e problemas respiratórios. “É importante ressaltar que o campo não corrige erros de processos anteriores da cadeia avícola, ou seja, das matrizes, incubatório e fábrica de ração. Pelo contrário, em condições de mau manejo tendem a piorar o quadro, e quando alojados em bom manejo, tendem a minimizar os impactos negativos das cadeias anteriores”, comenta.

Partindo do pressuposto que a “bola” chegue redondinha ao produtor, ou seja, uma analogia que os pintinhos cheguem em boa qualidade para serem alojados, há disponibilidade de uma ração balanceada em nutrientes, com granulometria e forma física adequada, além de serem recebidos com bom manejo pelo produtor, as condições ofertadas para se colher bons resultados ao sétimo dia serão altas, revela o Pedroso. “Um manejo correto auxiliará na metabolização do saco vitelino (saco de gema). O rápido desenvolvimento estrutural e funcional do trato gastrointestinal tem seu pique entre o terceiro e sétimo dia de idade, trato gastrointestinal bem formado é sinal de boa absorção, digestibilidade e cumprimento das exigências das rotas fisiológicas para o melhor desenvolvimento da estrutura óssea, muscular e do sistema imune, e como resultado final, ótimo ganho de peso”, conta. Ele acrescenta que uma boa referência de peso ao sétimo dia é ter um ganho de 4,5 vezes o peso inicial de um dia no alojamento. “A primeira semana é a preparação do alicerce para garantir boa estrutura nos ganhos das semanas subsequentes”, afirma.

Para Pedroso, a cadeia nunca vai parar de fazer pequenos ajustes de melhorias nas práticas de manejo já consolidadas. “Temos ainda que fazer melhorias na ventilação mínima para as aves, principalmente na primeira semana, quando temos que ajustar as necessidades de renovar o ar e aquecer ao mesmo tempo, esse antagonismo: fornecer calor e tirar calor, muitos produtores ficam confusos, já que fornecer calor tem um custo - a lenha nos custos variáveis fica como segundo item de maior custo quando produção de griller e terceiro quando criação de aves mais pesadas, com pesos acima de 2,2 quilos”, conta.

O professor ainda chama a atenção para garantir que a temperatura da água de consumo fique entre 15° C a 21° C em todo o período de criação. “Normalmente a temperatura da água nos canos dos bebedouros tende a ficar próxima à temperatura ambiente, portanto a primeira semana tem os parâmetros mais distantes desses valores recomendados”, afirma, acrescentando que em climas quentes pode haver uma redução do consumo de água devido a um aumento na temperatura da água. “A ingestão de água é proporcional ao consumo de ração. Sempre que as aves estão em conforto ambiental, o volume de água ingerido é cerca de duas vezes maior do que a ração”, diz.

Ração

Pedroso explica que a primeira semana de vida da ave tem especial relevância no processo de maturação intestinal, no qual o tamanho relativo do intestino e a produção enzimática são otimizados. “Por conta disso, todo o manejo deve girar em torno para se conseguir o melhor desenvolvimento intestinal, deve-se estimular e dar condições para adaptar a capacidade da ave de digerir e assimilar os alimentos”, conta. O professor ainda diz que consequentemente, ocorrendo mais cedo o bom desenvolvimento intestinal, mais rápido e precocemente acontece a intensificação do potencial genético de crescimento. “Além de externar uma boa capacidade imunitária para responder as vacinas recebidas e resistir as infecções, é importante ressaltar que 70% da resposta imune é estimulada no trato digestório”, afirma.

O profissional alerta que em todas as fases de criação as rações fornecidas devem ser balanceadas com granulometria e forma física mais otimizadas possível pela idade. “Essa ração deve passar por um bom controle de qualidade, com níveis de contaminantes dentro de especificações toleráveis, além de ter uma especial atenção as micotoxinas”, conta. O professor comenta que da parte do manejo no campo, as atenções estão voltadas à boa oferta da ração para as aves, por isso as quantidades das proporções aves/comedouros devem ser respeitadas. “As orientações variam de 60 a 80 aves por comedouro na fase inicial, e que chegue a 45 aves por comedouro na fase final, evitando-se com isso a disputa por comedouros, principalmente nos momentos de picos de consumo”, aponta.

É recomendado ainda que a distância entre as linhas não ultrapasse mais do que quatro metros uma da outra, as regulagens, tanto em altura dos comedouros como níveis de ração no prato, devem ser executadas para proporcionarem a facilidade do acesso e evitar desperdícios das rações, com impacto direto na conversão alimentar, avisa Pedroso. “Uma boa prática é o uso do papel kraft gramatura de 80g com ração em cima. É recomendado que esse papel seja colocado do lado dos bebedouros, oportunizando imediatamente o contato com a ração e a água. Essa prática até o terceiro dia serve de estímulo ao consumo de ração e facilita para o mais cedo contato com a ração”, afirma.

Pedroso conta que a boa qualidade intestinal está relacionada ao bom desenvolvimento das vilosidades intestinais, que proporcionam um aumento na superfície interna do órgão e consequentemente uma boa digestão e absorção. “Por isso manejos que restringem o acesso a ração e água causam redução na área superficial dos vilos. De modo geral, com bom consumo de ração, sem interferências sanitárias ou imbalanço nutricional, o peso final será bom”, revela.

Na Propriedade

Com tanta informação, muitas vezes o produtor fica sem saber ao certo o que fazer para garantir melhor qualidade. Pedroso expõe que o avicultor deve buscar práticas e execuções de manejo que estimulam o consumo de ração, fornecendo um ambiente favorável para a ave expressar seu potencial genético. “Ambiente confortável passa desde o fornecimento de uma espessura mínima de 10 cm na cama sobre o chão, para evitar excesso de umidade na cama, que poderá formar cascões e gases no interior, impossibilitando respectivamente a formação de calo de patas e os efeitos indesejáveis da amônia”, comenta. “É imprescindível o suprimento de um bom ambiente térmico e uma boa qualidade de ar, que passa por uma associação e combinação dos parâmetros de temperatura, umidade e ventilação mínima”, acrescenta.

O aquecimento também merece atenção, segundo o professor. Ele conta que no Sul do país é uma prática comum o uso de queimadores de lenha para suprir a necessidade de aquecimento. “Os queimadores de lenha automático ou fornos com chaminé são comuns nos três estados. Já no restante do país há uma alta porcentagem do uso de campânulas a gás butano e com menor proporção ao uso de fonte de diesel e não de lenha nos queimadores automáticos”, conta. Ele diz que para o atendimento ao aquecimento é preciso que o produtor se pergunte: há lenha seca e disponível o suficiente? Ela está depositada em local protegido de chuvas? “É comum os produtores usarem lenha verde, que além de não darem um bom aquecimento, podem causar entupimento ou afogamento da máquina automática, além de fazer ou levar muita fumaça para dentro do aviário”, explica. Pedroso conta que a lenha de melhor poder calorífico utilizada é o eucalipto, por ter forte teor de lignina em sua formação. Ele ainda diz que existe disponível os aquecedores automáticos a pellet, e que nesse caso, quando em uso, a qualidade e o poder calorífico dos pellets é bem maior que a lenha em si e cavaco, por ter baixo percentual de umidade - em torno de 5%.

Outro destaque dado pelo profissional é quanto aos alimentos. “A ração deve ser mantida limpa, sem a presença de fezes ou cama, a fim de proporcionar um melhor aspecto de qualidade e facilitar o consumo pelas aves”, afirma. Pedroso diz que sempre que possível deve-se caminhar entre as aves, promovendo a movimentação delas e o deslocamento até os comedouros e bebedouros. “A água é o principal alimento e muitas vezes, esquecido. Os principais erros no campo é não fornecer uma água clorada que minimize incidências de transtornos gastrointestinais, trabalhar com vazões erradas e temperaturas inadequadas que podem diminuir o consumo”, alerta. Pedroso comenta que fornecimento de água com temperaturas inadequadas podem estar relacionada desde a falta de bom sombreamento de caixas d’água ao aterramento de canos que ficam entre os reservatórios de água e os aviários. “A água deve ser clorada desde o dia do alojamento até a saída do lote, com dosagens de cloro que garantam no bebedouro a quantidade e 3 a 5 ppm no final da linha - ponto mais distante da entrada de água nos aviários”, conta.

A prática do adensamento do prato comando, a partir do alojamento das aves, é uma forma de estimular o consumo de ração pelos vários acionamentos das linhas de comedouros, informa Pedroso. “Esse estímulo sonoro faz as aves levantarem e buscarem os comedouros. É recomendado instalar um ponto de luz móvel no prato comando, ao qual quando em execução do manejo de luz com intensidade baixa, o prato comando terá uma intensidade luminosa bem maior que servirá de chamativo para as aves”, recomenda.

Ele diz que a luminosidade na primeira semana tem como objetivo aumentar a atividade da ave, principalmente estimular o consumo de ração. “Com isso, haverá minimização de baixo ganho de peso e do aparecimento de aves refugos”, diz. E já nas semanas subsequentes tem como objetivo controlar a taxa de crescimento das aves, monitorando o consumo de ração e com isso evitando maiores ocorrências de distúrbios metabólicos, como morte súbita e hidropericardio. “Ainda nas fases subsequentes o manejo da luminosidade pode interferir na diminuição da mortalidade e da ocorrência de problemas locomotores”, informa.

Para o professor, as melhorias podem advir de aquisição de equipamentos, ou uma boa manutenção deles, ou até mesmo de práticas de manejo “braçal”, que serão a simples mudança de atitude. “O produtor que segue na íntegra ou com pequenos ajustes as recomendações técnicas da empresa integradora terá alto percentual de sucesso na sua produção”, finaliza Pedroso.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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