Nutrição - 15.06.2018

Desequilíbrio no tratamento térmico compromete qualidade das rações

De acordo com especialista, peletização e expansão são diferentes tipos de tratamento e ainda geram dúvidas entre profissionais sobre o correto manejo

- Arquivo/OP Rural

A nutrição é um dos mais importantes fatores para o frango de corte. Assegurar que o animal tenha uma correta alimentação, com produtos de qualidade, garante não somente um frango muito mais pesado e robusto, mas se traduz em mais retorno financeiro para o produtor. Conhecer um pouco sobre os tipos de tratamento que existem na indústria faz a diferença na escolha da melhor dieta para os animais. É sobre este tema que o engenheiro agrônomo doutor Antonio Klein falou durante o 19° Simpósio Brasil Sul de Avicultura em Chapecó, SC, que aconteceu entre os dias 10 e 12 de abril. Explanando sobre os tratamentos e a importância deles na dieta do frango de corte, Klein ressalta “os impactos do tratamento térmico e dos processos subsequentes sobre os nutrientes, microbiologia e forma física da dieta”.

O profissional explica que o tratamento térmico na indústria de rações tem impactos positivos e negativos, e quando feito de forma adequada e ajustado nas variáveis usadas, como temperatura, umidade, tempo e pressão, que variam para cada tipo de formulação, contribui para melhora no desempenho dos animais. “Se feito de forma inadequada, além dos custos do tratamento térmico, pode adicionalmente piorar o desempenho dos animais. Portanto, como em qualquer processo que realizamos, temos que buscar o equilíbrio entre potenciais benefícios e riscos envolvidos para que no final tenhamos um custo benefício econômico favorável”, afirma complementando que, em síntese, o que se busca com o tratamento térmico é reduzir o custo da carne, dos ovos, do leite, etc.

Ração pouco nutritiva

Citando os impactos do tratamento térmico, Klein explica que existem basicamente três. O primeiro é sobre os nutrientes da dieta, que pode ser positiva ou negativa. “Em geral temos os principais benefícios sobre o amido (gelatinização e plastificação), sobre as proteínas (plastificação e desnaturação parcial) e sobre inibição de agentes antinutricionais”, explica. Ele conta que como principais riscos estão sobre as enzimas e as vitaminas e, dependendo da intensidade e do tempo usado, também sobre as proteínas.

Ração contaminada

O segundo impacto é sobre a microbiologia, explica. “Os tratamentos térmicos visam reduzir ao máximo os microrganismos da ração e eliminar as mais críticas, como as salmonelas. Em geral, de um modo mais amplo, focamos as enterobactéricas - com o objetivo de reduzir ao máximo – e as salmonelas – com o objetivo da eliminação”, informa.

Ração pouco atrativa

O terceiro impacto, pondera, está ligado à mudança da forma física. Klein conta que para muitos esta é a principal vantagem dos tratamentos térmicos para aves, já que elas não gostam e nem toleram finos, pois os animais se orientam basicamente para se alimentar no tamanho das partículas e pela coloração. “Os tratamentos térmicos visam transformar a ração farelada para grânulos – os pellets – que são muito mais fáceis de serem apreendidos pelas aves, evitando gasto de energia para se alimentar, desperdício de ração, entre outros benefícios”, assegura.

Peletização e expansão

Klein garante que estes tipos de tratamento são importantes para que a dieta do frango de corte atenda às necessidades do animal. De acordo com ele, são dois os tipos de tratamento: a peletização e a expansão. “Sobre este primeiro não existem dúvidas sobre as vantagens e a validade econômica desse processo. Acompanhamos avaliações de payback desde 1991 e o retorno de investimento nunca passa de dois anos”, afirma. Porém, segundo o profissional, o processo é muitas vezes complexo e mal projetado e operado, o que pode causar grandes prejuízos, tanto para o produtor quanto para o animal.

Já quanto à expansão, Klein explica que neste processo ainda há dúvidas no mercado, principalmente em relação à intensidade das variáveis usadas. “Isso principalmente sobre qual temperatura e qual regulagem do cone mais adequado para equilibrar benefícios e perdas”, conta.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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