Suinocultura - 21.06.2018

Descarte de matrizes é essencial para manter produtividade em alta na granja

Descarte das matrizes deve ser feito, porém, é preciso que equipe de trabalho esteja atenta à sinais e saiba escolher qual melhor momento para cada fêmea

- Arquivo/OP Rural

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Saber o momento certo para descartar uma matriz é, sem dúvida, um dos itens mais importantes em uma granja para manter a alta produtividade, rebanho com altos índices produtivos e custos controlados. Observar os sinais e treinar os funcionários são alguns dos pontos mais importantes para saber o melhor momento deste descarte. O professor doutor Rafael Ulguim, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), falou sobre a “Importância do descarte e retenção de matrizes na produção de suínos” durante o Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu em maio, em Porto Alegre, RS.

O médico veterinário conta que o momento de descarte de uma matriz determina o retorno sobre o investimento realizado na aquisição da fêmea. “Assim, o descarte precoce pode refletir em não atingir um adequado retorno do investimento”, afirma. Ele informa que também a falta de uma política bem definida de descarte pode impactar em alterações no perfil etário do plantel e consequentemente reduzir o desempenho do rebanho.

Além do mais, garantir um tempo mínimo de permanência no rebanho para que a fêmea possa se pagar é crítico, confidencia Ulguim. “Obviamente que a partir de uma determinada idade as fêmeas entram em um declínio de produtividade e, portanto, precisam ser descartadas. Cabe a cada unidade produtiva avaliar quando ocorre esse declínio e a partir de então definir qual a origem de parto limite de manutenção das fêmeas no rebanho, considerando também as características individuais de produtividade”, informa.

Ulguim esclarece que o descarte pode ser classificado como voluntário ou involuntário. “Existem razões que obrigam os produtores a descartarem as matrizes – principalmente associados a condições de problemas clínicos”, relata. Ele revela que nos descartes voluntários é importante entender o motivo que está levando a dúvida sobre descartar uma matriz e fazer uma avaliação de risco, sempre considerando o custo de aquisição da fêmea e o retorno do investimento. “Existem vários trabalhos científicos que demonstram a razão de chance de as fêmeas repetirem determinados problemas ou razão de chance para serem descartadas. Cabe entender o significado dessas informações, as variáveis associadas e validar para cada sistema de produção”, explica.

O profissional destaca que a principal importância da retenção das matrizes é garantir que a fêmea possa produzir uma quantidade mínima de leitões capaz de garantir o retorno do investimento. “Adicionalmente, uma melhor taxa de retenção de fêmeas jovens permite manter uma estrutura mais estável e maior percentual de fêmeas com ordens de parto mais produtivas no rebanho”, conta. E este retorno é justamente visto se feito o correto trabalho de descarte e manutenção das fêmeas, continua Ulguim. “É fundamental para garantir o retorno do investimento sobre o capital investido. Além do que já foi comentado em relação a manutenção de uma estrutura etária do plantel capaz de proporcionar melhor desempenho”, assegura.

Ulguim ainda frisa que realizar o destarte das fêmeas deve ser feito garantindo produtividade mínima, ao menos. “A grande discussão é definir qual política de descarte melhor se enquadra dentro da matriz de custo de cada sistema produtivo, de forma a garantir uma produtividade mínima por matriz”, explica.

Treinamento da equipe

A identificação das fêmeas a serem descartadas é diretamente associada ao treinamento dos funcionários que tomam a decisão por descartar uma matriz, informa Ulguim. “Existem razões associadas a problemas clínicos, como problemas no aparelho locomotor, fêmeas caquéticas, abortamentos, entre outros, que são mais fáceis de serem visualizados e decididas”, comenta.

Porém, segundo o profissional, questões relacionadas à baixa produtividade, retorno ao estro e idade avançada dependem de um entendimento mais aprofundado e uma análise mais detalhada que permita associar essas informações com a produtividade acumulada da fêmea na vida. “Nesses casos, me parece que falta nas granjas protocolos e políticas bem descritas e de fácil visualização para que o funcionário possa decidir pelo descarte”, expressa. Para o médico veterinário, as decisões muitas vezes são tomadas de forma imediata, sem a devida análise e sem considerar um planejamento e perfil predefinido.

Ulguim afirma que um ponto extremamente importante na estruturação de uma política de descarte é relacionado ao banco de dados utilizado para as análises. “Existem falhas recorrentes de definição do real motivo e no lançamento das razões de descarte. Isso pode comprometer a definição da política de descarte”, diz o profissional. “A falta de esclarecimento dos funcionários em relação à importância que a decisão do descarte possui no sistema produtivo frequentemente é observada”, reforça.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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