Grãos - 18.01.2018

Defensores do milho

Tem gente que não quer nem saber em deixar o cereal de lado, pelo contrário, investe cada vez mais na lavoura de milho na segunda safra

- Giuliano De Luca/OP Rural

Muitos produtores estão descontentes com o mercado do milho para o próximo ano por conta dos preços baixos praticados em 2017. A justificativa é óbvia: o preço médio do cereal recebido pelo produtor no mercado paranaense em 2016 foi superior a R$ 33 a saca, mas já no ano seguinte – média de janeiro a outubro - foi de R$ 22,12, uma redução superior a 34%. De acordo com o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), a “redução significativa dos preços na safra 2017 são justificadas por uma oferta maior do cereal tanto no mercado interno como externo, a moeda Real mais valorizada e expectativas de produção elevada para a safra 2017/18”.

No entanto, tem gente que não quer nem saber em deixar o cereal de lado, pelo contrário, investe cada vez mais na lavoura de milho na segunda safra, tanto para ganhar com a colheita do grão quanto para deixar a terra ideal para receber a soja de verão. Um deles é o produtor Eder Trazzi Rodrigues, do município de Floresta, na região Norte. Em entrevista a O Presente Rural, o paranaense colheu 330 sacas em cada um de seus 11 alqueires na segunda safra de 2017. “Eu investi em alta tecnologia em sementes, adubação, e consegui colher 330 sacas por alqueire. Foi um desempenho muito bom. O problema é que o preço do milho ficou muito ruim e acabou desestimulando alguns produtores a plantar, apesar que agora (o preço) deu uma reagida. Eu não duvido que o emprego de tecnologia é fundamental para viabilizar economicamente a lavoura de milho”, aponta o produtor.

Ele conta que, ao contrário do que ele pensa, muitos produtores da região de Floresta, a 30 quilômetros de Maringá, devem usar as sementes colhidas na última safra para cultivar a terra para a segunda safra, o que, em sua opinião, é um grande erro. “Tem produtor que está pensando em não investir em tecnologia de sementes. Com certeza vão colher bem menos. Acho um erro. Para mim, se é para plantar, temos que plantar com qualidade para colher bem. Esse é o caminho”, comenta.

O produtor do Norte paranaense justifica o investimento, ainda, por conta de toda a infraestrutura e valor que a terra possui. “Temos a terra, temos o custo dos implementos, temos todas as condições necessárias para plantar e colher bem. Por tudo isso acho investir em um bom adubo, em uma boa semente, em um bom manejo”, argumenta o produtor de 54 anos, “agricultor desde criança”. “Se temos a terra, temos que cuidar bem e usar bem a terra. A gente anda por aí e vê muita terra pobre. É de dar dó”, reforça.

Preocupação

De acordo com o gerente da unidade da Cocamar em Floresta, Marcio Sartori, alguns produtores estão deixando de adquirir sementes tratadas para reduzir os custos de produção mas ele destaca que isso vai prejudicar a qualidade dos grãos e a produtividade da lavoura. “Muita gente vai arriscar e plantar sem tecnologia. Estão pensando em usar sementes sem tecnologia. Com certeza vão colher bem menos e talvez inviabilizar economicamente a lavoura”, lamenta.

Novas Tecnologias

Não é o caso de Rodrigues, que já comprou todo o insumo para a segunda safra de milho, em 2018. Para o ano que vem, após colher a soja do verão - que no ciclo 16/17 rendeu 174 sacas por alqueire -, Rodrigues vai implantar um sistema de produção em consórcio entre milho e braquiária. Tudo, segundo o produtor de Floresta, PR, para melhorar a qualidade do solo ano após ano. “Trabalhamos com rotação de cultura. Sempre milho no inverno e soja no verão. No próximo ano, com o milho nós vamos plantar braquiária, que vai melhorar a qualidade do solo, reter mais nutrientes. Além de não atrapalhar o milho, o resultado vai aparecer na safra de verão de 2018/19”, antecipa o agricultor.

Entre outros benefícios do plantio consorciado estão a capacidade de evitar erosão, já que a palhada está em contato com o solo e evita que a chuva provoque estragos, levando a terra nutrida em enxurradas, especialmente quando o milho colhido, e a manutenção da água em períodos de estiagem, pois a palhada da braquiária evita que o sol aqueça a terra em demasia retém a umidade por mais tempo. Na Embrapa Milho em Sorgo, com sede em Londrina, o produtor paranaense - e brasileiro - pode ter acesso a diversos tipos de braquiárias e estudos que comprovam sua eficiência.

Mais Precisão

As apostas de Rodrigues, figura conhecida no pequeno município de Floresta por ser também vereador, diz que vai migrar para a agricultura de precisão nos próximos anos. Em sua avaliação, esse tipo de produção vai ser o futuro para que agricultores consigam obter maior rentabilidade em suas fazendas. “Gosto de estar sempre mudando, empregando novas tecnologias. O próximo passo é a agricultura de precisão. Quero começar com esse modelo de produção o quanto antes. Sei que é um alto investimento, mas tenho certeza quer vai compensar”, sugere o agricultor.

Além de plantar e colher em seus 11 alqueires, Rodrigues presta serviço para outras famílias da região que não possuem maquinário.

Preços para 2018

O produtor acredita que o cereal vai atingir bons patamares de preço para o ano que vem, especialmente se muita gente optar por não produzir utilizando sementes tratadas. “Acho que quem plantar milho vai ganhar dinheiro. Acredito que para o ano que vem teremos preços entre R$ 27 e R$ 30”, avalia. O produtor espera ainda um bom ano para a soja.

Na região de Floresta há poucos pecuaristas. A maioria dos produtores rurais são agricultores, que colhem soja no verão e milho no inverno. Para Rodrigues, é um dom da região. “Somos agricultores. É uma questão de cultura, de identidade”, arremata o produtor.

Mais informações você encontra na edição do Anuário do Agronegócio Paranaense de janeiro/fevereiro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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