BEA - 05.11.2018

“De que adianta termos os melhores recursos se o suíno passa frio?”

Gustavo Lima entende que instalações das granjas precisam ser melhoradas e que ambiência precisa ser auditada

- Arquivo/OP Rural

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Gustavo Lima, zootecnista e consultor técnico comercial, abriu a programação científica do 11º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, em agosto. Lima, especialista em crescimento e validação de produtos, falou sobre “Ambiência na produção de suínos e alternativas de equipamentos: como o estresse térmico e a qualidade do ar afetam o desempenho zootécnico - desafios e oportunidades”.

A palestra abordou pontos críticos em ambiência, além de como conceber e auditar projetos. Ele explanou detalhes técnicos para o planejamento de projetos de climatização de instalações, tanto para projetos novos quanto para adequações em instalações existentes. “Temos que realizar as respectivas análises econômicas em diferentes fases de produção, sendo estas do setor de reprodução, creche e terminação”.

Lima destacou a importância de adotar rotinas de auditoria e diagnósticos de funcionamento do sistema de climatização para detectar oportunidades de melhoria e correção de problemas, resultando em um melhor ambiente para os suínos.  

Controle da temperatura

Um dos indicadores a serem avaliados é a temperatura. Conforme Lima, na maior parte das granjas não existe um controle adequado de temperatura. Além de não existir um registro adequado da mesma. “Estamos muito suscetíveis ao ambiente externo na questão de temperatura”.

A falta de ferramentas de medição faz com que o mínimo controle de temperatura existente tenha como parâmetro a sensação da pessoa que trabalha na granja, impactando no manejo diário. Primeiramente, diz ele, é necessário o registro, para saber a real temperatura dentro do galpão. “Pecamos muito com a temperatura, principalmente com relação ao frio”, enfatiza.

No campo, o consumo de razão é um dos primeiros indicadores que podemos observar sobre ambiência. “A temperatura na creche impacta diretamente na transição do desmame ao consumo da primeira ração. Isso reflete na cadeia de forma geral, gerando um efeito dominó”, alerta.

Outro aspecto importante na questão ambiência é que, por receio de gerar gases, CO2 ou amônia, ventila-se muito o galpão na primeira semana de creche. “Gera uma oscilação muito forte de temperatura”, alerta o profissional.

No frio, muito prevalente na região Sul do Brasil, uma das grandes deficiências é a falta de instrumentos adequados de aquecimento dentro do galpão. Lima considera importante manter a temperatura e ventilação totalmente controladas. Pode-se aquecer ou isolar o galpão. Também é possível investir em microambientes. “Vedar mais o galpão, investir em cortinas duplas, criar microambientes montando paredes com lonas, principalmente nas baias de animais menores”. Ele também cita o investimento em campânulas. “O suíno muito responde ao aquecimento local”.

Ainda conforme o palestrante, a suinocultura brasileira tem investido em diversas tecnologias que melhoram a produção. “A única tecnologia em que pecamos é a questão de ambiência, principalmente nas fases de creche e terminação”. Diante de um resultado negativo, diz ele, se põe a culpa na nutrição, na sanidade, no manejo, mas ele sustenta que a ambiência é muitas vezes responsável por esse desempenho reduzido. “Precisamos analisar como a ambiência está impactando o resultado nas granjas. De que adianta termos os melhores recursos se o suíno passa frio?”, provoca.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

FACTA Dez 2018

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