Mercado - 01.09.2017

Conquistar grandes mercados importadores ainda é desafio para Brasil

Entrar em mercados como Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul ainda tem sido um desafio para a carne suína brasileira, afirma Vargas

- Arquivo/OP Rural

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Ao longo dos anos, o Brasil vem se destacando no mercado mundial da proteína animal. Tendo se tornado um grande exportador, o país mira alguns mercados que ainda não entrou ou entrou com muita discrição. Tendo cumprido quesitos como qualidade, sanidade e excelência, o Brasil agora negocia com estes grandes mercados, como Estados Unidos e Japão, para conseguir uma fatia nas negociações internacionais. Para esclarecer um pouco sobre este processo, o vice-presidente e diretor técnico da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Rui Saldanha Vargas, falou sobre o “Mercado global de suínos: barreiras comerciais e clientes que desafiam a indústria brasileira”, durante a SafePork, que aconteceu de 21 a 24 de agosto, em Foz do Iguaçu, PR.

Vargas explica que em 1978 a peste suína africana entrou em solos brasileiros, o que fez com que a exportação da carne suína estagnasse. “Neste período, o Brasil ficou somente no mercado interno. E, na época, o nosso mercado interno não era um grande mercado para os suínos, pois o consumo estava em torno de 8 a 9 kg/habitante/ano, um mercado fraco”, afirma. Ele diz então, ao longo dos anos que se sucederam, foi feito um forte trabalho para retomar as exportações. “Nestes 20 anos conseguimos um aumento de 800% nas exportações, e atingimos no ano passado o que consideramos o nosso maior número em termos de exportação nesses anos: 750 mil toneladas. E neste ano, pretendemos crescer e evoluir mais no mercado externo”, enfatiza.

Ele informa que é sabido que, atualmente, o mercado interno brasileiro da carne suína é bom, consumindo mais ou menos 75% do que é produzido. “Mas queremos trabalhar bastante o mercado externo para chegar em níveis bastante interessantes para nós e dar um equilíbrio para a cadeia como um todo”, diz.

Vargas conta que apresentará quem são os maiores importadores de carne suína do mundo e porquê o Brasil ainda não conseguiu ter acesso a determinados mercados. “O México, por exemplo, é um dos seis grandes importadores mundiais, assim como a Coreia do Sul, o Japão e os Estados Unidos. São países que importam (em quantidade). Nós temos dois grandes mercados que estamos aprovados, que é a China e a Rússia, mas nos falta ainda trabalhar melhor estes outros mercados que seriam muito bons para nós”, comenta. Ele diz que obviamente o Brasil vem trabalhando nos pequenos mercados, mas o objetivo é ganhar a certificação de condição, qualidade e segurança do produto brasileiro destes grandes mercados para poder expandir a exportação.

O vice-presidente da ABPA afirma que para conquistar estes grandes mercados não falta nada para o Brasil. “Nós só temos que questionar alguns regramentos ou requerimentos sanitários que são feitos por alguns países”, diz. Um exemplo citado por ele, e que, para Vargas, é o maior desafio para conquistar determinados mercados, é o risco da carne suína brasileira ser exportada de uma área livre de febre aftosa com vacinação para bovinos. “Nós fazemos a perfeita separação da espécie bovina, isso é uma doença bastante característica em bovinos e que não ocorre no Brasil há mais de 20 anos. Nós não vacinamos contra a febre aftosa em suínos, então os riscos são completamente desprezíveis”, reitera. De acordo com ele, uma das principais barreiras que existem para adentrar determinados mercados é o fato de produzir suínos em uma área onde se produz bovinos com vacina.

Dessa forma, comprovar a parte sanitária está sendo um desafio, assegura Vargas. “Acho que esse casamento que nos impõe com a carne bovina, isso tem nos prejudicado bastante, porque quem vacina é a (cadeia da) carne bovina, o reconhecimento internacional de livre com e sem vacinação é em cima dos produtos bovinos”, diz. Ele assegura que está sendo trabalhado fortemente para que este “casamento” seja desfeito e seja provado que o risco não existe. “Vamos provar que os países podem exportar o suíno, porque trabalhamos em um sistema integrado, um sistema fechado, com uma tecnologia moderna de produção. É uma condição totalmente protegida das demais espécies que, por ventura, estejam na mesma base geográfica”, comenta.

Novos Mercados

Vargas conta que há uma tese na ABPA em que o mercado brasileiro deve sempre estar encostado em todas as portas comerciais. “Porque, quando abrir uma, nós caímos para dentro”, diz. Para ele, o Brasil precisa estar preventivamente se preparando para entrar nos mercados, mesmo que, às vezes, existe fatores como negociações internacionais ou acordo bilateral de mercado entre dois países. “Chega determinados momentos de oportunidade comercial que precisamos estar prontos para aproveitar. Por isso, nos preparamos no ponto de vista de biossegurança, de sanidade, segurança alimentar, para estarmos preparados para a hora que der, nós cairmos para dentro desta porta”, conta.

Para ele, o Brasil está totalmente preparado para atender a qualquer mercado. “Nós temos uma suinocultura moderna, usamos a melhor tecnologia possível, temos uma boa condição sanitária. Como todo e qualquer país, estamos sujeitos a acidentes ou eventos sanitários, mas estamos com instrumentos e procedimentos muito rápidos para agir em cima de qualquer evento e corrigir os problemas na maior rapidez possível em termos de diagnóstico e de ação de governo. Acredito que nós estamos totalmente preparados”, enfatiza. Segundo Vargas, somente o que o Brasil precisa são boas oportunidades para mostrar o produto nacional lá fora.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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