Nutrição - 09.04.2018

Conheça mais sobre o processamento de rações para aves

Inúmeras pesquisas têm sido realizadas para tentar elucidar os mecanismos que fazem com que o aproveitamento dos ingredientes seja melhorado

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Andréia Massuquetto, zootecnista, mestre em Ciências Veterinárias, doutoranda em Zootecnia e atua na área de engenharia de Produto da Tectron

O processamento de rações consiste no conjunto de operações necessárias para alterar a estrutura de um ingrediente em seu estado natural, visando obter seu máximo potencial nutricional. Na indústria avícola, o principal processamento térmico utilizado é a peletização.

A peletização é uma etapa do processamento de rações em que os ingredientes ou mistura são aglomerados por meio de ação mecânica, em combinação com umidade, pressão e temperatura. No final do processo, a ração é moldada em formato cilíndrico denominado pelete. Os parâmetros do processo de condicionamento/peletização podem variar de acordo com os tipos de ingredientes e tamanhos de partícula que compõe as dietas, bem como com as especificações dos equipamentos (condicionador, cilindro e matriz). Um amplo range de temperatura e umidade pode ser empregado durante o condicionamento, variando comumente de 60 a 100º Celsius e 12 a 18% de umidade. O processo de condicionamento anterior à peletização, bem como o ajuste dos seus parâmetros, são preponderantes para aumentar a biodisponibilidade dos ingredientes e melhorar a qualidade dos peletes.

Entre as principais razões que motivam as agroindústrias a peletizar rações destacam-se a redução da segregação de ingredientes, melhor fluxo da ração nos equipamentos, facilidade de manuseio do produto final, e torna possível a redução do custo de formulação por meio da inclusão de ingredientes alternativos e da diminuição da energia da dieta.

Está bem estabelecido que frangos de corte alimentados com dietas peletizadas apresentam melhor desempenho em relação aos que recebem dietas fareladas. Apesar disso, ainda existem muitas dúvidas sobre a efetividade dos resultados esperados, o que se deve à complexidade do processo que envolve múltiplos fatores. Frente à necessidade de informações sobre o assunto, inúmeras pesquisas têm sido realizadas para tentar elucidar os mecanismos que fazem com que o aproveitamento dos ingredientes seja melhorado.

Benefícios

Os benefícios da peletização em aves podem ser atribuídos ao aumento do consumo de ração em função da maior facilidade de apreensão das partículas dos ingredientes quando aglomeradas no formato de peletes; ao aumento da efetividade calórica porque as aves consomem a ração mais rapidamente, aumentando a frequência de descanso; e maior digestibilidade das frações da dieta devido à ação mecânica, umidade e temperatura empregadas no processo.  

Apesar dos resultados positivos proporcionados, diversos estudos têm mostrado que o processo de condicionamento/peletização exerce pouco efeito sobre a gelatinização do amido e modificação das proteínas. Processamentos mais intensos, como a expansão, são capazes de promover maiores modificações nas estruturas dos ingredientes e melhorar a qualidade dos peletes. 

Expansão

A expansão de rações é um processo de alta temperatura e curto tempo (high-temperature and short-time, HTST) que é utilizado principalmente anterior à peletização para intensificar o processo de condicionamento. O processo HTST é criado pela transferência de energia mecânica para energia térmica, o que permite alcançar temperaturas altas (120 a 160º C), e pressão superior a 1200 PSI.

A expansão pode intensificar a gelatinização do amido e a desnaturação proteica, melhorando a digestibilidade. Entretanto, se o processamento térmico for muito intenso, com altas temperaturas e longo período de exposição, podem ocorrer reações indesejáveis entre os componentes dos alimentos, tornando-os menos digestíveis, principalmente a reação de Maillard. Estas reações podem promover o bloqueio ou a redução da biodisponibilidade de aminoácidos essenciais e da atividade de enzimas. Após o processo de resfriamento, quando a temperatura é reduzida (próxima da temperatura ambiente), pode ocorrer rearranjo das moléculas de amido, separadas durante o processo de gelatinização, favorecendo a recristalização, processo conhecido como retrogradação, que também reduz a digestibilidade do amido. Ainda, altas temperaturas podem reduzir a estabilidade de enzimas adicionadas na dieta. Dessa forma, o uso de enzimas termostáveis e/ou protegidas é essencial para manter a atividade enzimática desejada.  

Rações Íntegras

Para que os benefícios do processamento térmico sejam atingidos, é necessária a fabricação de rações de boa qualidade física, capazes de manter sua integridade até o momento em que são fornecidas para as aves no comedouro. Peletes de baixa durabilidade não resistem às forças de atrito, pressão e impacto existentes ao longo dos processos de armazenamento, transporte e expedição da fábrica de ração até a granja. Diversos fatores podem afetar a qualidade de peletes, como composição nutricional da ração, granulometria dos ingredientes, temperatura e tempo de condicionamento, umidade da ração, taxa de compressão da matriz da prensa, distância entre o rolo e a matriz da prensa, entre outros.  

Todos os fatores que exercem influência sobre a qualidade dos peletes são importantes e podem agir individualmente ou combinados. Em 2015, pesquisadores avaliaram o efeito das interações entre diferentes fatores sobre o Índice de Durabilidade dos Peletes (PDI) de dietas à base de milho e farelo de soja (figura 1). O processamento térmico foi o fator de maior participação, correspondendo por 44% da variabilidade observada para PDI. Verificou-se que nas condições deste estudo, a alternativa mais eficiente para melhorar a qualidade de peletes foi a expansão das dietas após o condicionamento, seguida em ordem decrescente de contribuição pelo aumento nos níveis de adição de umidade, pelas restrições na inclusão de gordura e finalmente pela redução no tamanho de partícula. É importante ressaltar que o quanto cada fator afeta a qualidade dos peletes depende das condições existentes em cada fábrica de ração, como tipos de equipamentos disponíveis e tamanhos de partícula/composição das dietas fabricadas de acordo com cada espécie e categoria animal.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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