Leite - 11.09.2017

Condomínios para produção leiteira ganham espaço

Difundido nos Estados Unidos e Europa, condomínio para a produção de leite surge como novo modelo de negócio no Brasil e começa a despertar interesse
Fazenda MilkStad, em Carambeí, é pioneira no modelo de condomínio da atividade leiteira no país

Fazenda MilkStad, em Carambeí, é pioneira no modelo de condomínio da atividade leiteira no país - Divulgação/MilkStad

Tradicional bacia leiteira do Paraná, a região dos Campos Gerais tem demonstrado que a produção está ganhando novos modelos de negócios. O produtor individual ou integrado às cooperativas da região está ganhando a companhia de fazendas com novos modelos de negócios, como o condomínio. Da união de vários investidores, surgiu o primeiro condomínio de produção de leite do Brasil, que associa até mesmo gente que nunca mexeu com a atividade. Cada sócio ganha de acordo com o número de animais que coloca à disposição do plantel, diluindo os custos entre os investidores e produzindo em volume suficiente para ganhar mais por cada litro de leite que sai da fazenda. O modelo, que é mais comum na Europa e Estados Unidos, ainda é recente no Brasil, mas já há experiências em andamento também em outros estados, como no Rio Grande do Sul (leia box).

Pioneira nesta modalidade no país, a Fazenda MelkStad (Cidade do Leite, em holandês), de Carambeí, deve receber um investimento de R$ 30 milhões para se tornar o maior grupo em condomínio para a produção leiteira do Brasil. De 2012 a 2017, o rebanho passou de 50 para 1,3 mil animais. Com mais facilidade em contrair recursos que outros produtores individuais, investiram em modernos sistemas de produção em galpões, ordenha rotatória, controles biológicos e nutrição, garantindo uma média de 33 litros de leite/vaca/dia.

O modelo de negócio começou em 2012, cita um dos sócios e diretor da Fazenda, Diogo Vriesman, que apresentou o case da empresa para produtores rurais durante o Show Pecuário, evento promovido no fim de julho pelo Sindicato Rural de Cascavel e Sociedade Rural do Oeste do Paraná, em Cascavel, PR. As principais vantagens dos condomínios, segundo ele, são “aumento de capacidade de captação de recursos, já que são mais pessoas buscando financiamento, diminuição do risco e ganho na escala de produção”, ordena.

O modelo, segundo o produtor, é importado de tradicionais países produtores de leite. “O condomínio para a produção de leite acontece muito nos Estados Unidos. Na Europa, isso também está acontecendo, especialmente em fazendas medianas. E isso me parece ser uma tendência forte no Brasil. Não apenas produzir leite, mas formar empresas de produção de leite”, considera o empresário.

Como todo novo negócio, lembra Vriesman, o condomínio era posto em xeque quando ele começou a apresentar a ideia na região. “No Brasil, os condomínios são mais comuns na agricultura, quando vários sócios se unem para comprar uma área e produzir grãos. No leite, isso nunca havia acontecido. Mesmo em uma região tão tradicional na produção leiteira, como Carambeí, esse modelo de negócio é supernovo, e no começo era um pouco desacreditado”, conta.

Em pouco tempo, mais pessoas passaram a apostar na ideia e a atividade deslanchou, conta o produtor rural, que hoje é diretor da Fazenda. “O consórcio começou em 2012, com 50 vacas, três sócios e produção de 1,2 mil litros de leite por dia em uma propriedade alugada em um município próximo”, cita. No ano seguinte, já eram 280 animais e oito mil litros/dia. Em 2014, o grupo criou a sede própria, em área de 18 hectares exclusivos para a produção leiteira. Hoje são seis investidores, quatro dos quais nunca trabalharam com leite e pouco se envolvem nas atividades da fazenda. Diogo e o outro produtor são os que lidam com o dia a dia e comandam os 39 funcionários da empresa rural.

Em 2015, mais 300 animais foram postos em lactação. No ano passado, já eram 850 vacas produzindo diariamente, em três ordenhas diárias. “Agora estamos com 1.170 vacas holandesas em lactação. Nosso objetivo e nossa estrutura já feita para acomodar 2,3 mil vacas, 1,9 mil em lactação”, cita. Toda a produção é destinada à cooperativa Frísia, que paga um valor diferenciado - pela qualidade e - porque o volume entregue diariamente é maior. Quanto mais leite entregue, mais a cooperativa para ao produtor, pois amplia o lote, melhora a rastreabilidade e reduz custos, como logística.

Estrutura

A produção que no começo era a pasto logo migrou para um sistema fechado, que garante mais conforto aos animais e uma nutrição mais balanceada para refletir em mais leite e menos custos. “Copiamos um sistema americano. Lá é mais fácil comprar equipamentos que no Brasil, por isso fizemos algumas adaptações”, cita Vriesman.

As vacas ficam acomodadas no sistema free-stal, em galpões que garantem abrigo de sol e chuva, são resfriados nos períodos mais quentes do ano para oferecer conforto térmico e bem-estar aos animais. O espaço garante que as vacas possam expressar seus comportamentos naturais. “Não economizamos no espaço. O bem-estar é fundamental”, cita.

Do galpão, as vacas vão três vezes ao dia para a sala de ordenha, onde a vedete é uma máquina com capacidade para ordenhar 50 vacas por vez. “O nosso sistema de ordenha é rotatório, que garante mais eficiência. Conseguimos ordenhar 50 vacas por vez. O tempo médio de cada ordenha é de 4,3 minutos”, diz.

A cama de areia, que também garante conforto às vacas holandesas, também recebe um trato especial para evitar doenças no rebanho. “Usamos o metano (queimado) produzido na propriedade para neutralizar a cama de areia. Ele ajuda a reduzir a contagem bacteriana no ambiente”, orienta. O grupo ainda deve implantar um sistema para produzir energia através dos desejos bovinos.

Organização

Como o condomínio para a produção leiteira pode ter vários sócios, uma das dicas de Vriesman é montar um organograma bem definido, respeitar as decisões hierárquicas e ter uma gestão transparente. “Esse modelo de negócio depende de muita organização. Não é só juntar as vacas. É preciso ter um organograma bem definido, respeitando as funções e responsabilidades dos sócios e dos funcionários. Com esse respeito, a chance do negócio dar certo é de 90%”, admite.

No caso da MilkStad, apenas dois sócios participam das atividades da fazenda, mas todos se reúnem periodicamente para analisar o desempenho e propor metas capazes de melhorar a lucratividade da propriedade. “Nós fizemos reuniões todos os meses, onde são apresentados os dados zootécnicos e feitas proposições de novas metas para a empresa”, comenta.

Uma pecualiaridade no caso da empresa de Carambeí é que a compra da nutrição e o processo de recria é terceirizado, mas para sócios da empresa. De um deles, veem as novilhas. De outro, a nutrição composta por silagem de aveia e milho, além de aditivos nutricionais somados na sede. A centralização desses processos permite maior rastreabilidade e confiabilidade nos insumos e animais que chegam à fazenda.

Em contrapartida, um biodigestor separa os desejos e promove a fertirrigação nas áreas agrícolas dos sócios, que são vizinhas à sede da Fazenda. De acordo com Vriesman, são aproximadamente 600 hectares de lavouras que recebem o fertilizante, reduzindo os custos com a nutrição.

O profissional garante que outros produtores de grãos estão interessados em investir no sistema de produção de leite em condomínio. “Na nossa região temos agricultores que estão começando a gostar da ideia. Isso porque estão percebendo que tem gente capaz de gerenciar esse tipo de empreendimento”, avalia o pecuarista.

Segundo Vriesman, o investimento para a Fazenda MelkStad chegar ao atual estágio foi de R$ 25 milhões. Para que o projeto final seja concluído, possivelmente em 2018, serão gastos mais R$ 5 milhões.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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