Sandiade - 09.07.2018

Conceito antigo de higiene é base da suinocultura 4.0

Conceito muito mais antigo, a higiene, é a solução para os problemas causados pela retirada dos antibióticos e para se inserir na quarta revolução industrial

- Arquivo/OP Rural

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A experiência prática da Holanda com a restrição ao uso de antimicrobianos foi apresentada durante a Conferência Info360, que reuniu profissionais brasileiros e estrangeiros da suinocultura em abril, em Florianópolis, SC. Quem falou sobre o assunto foi o engenheiro agrônomo Marc Intven, um dos maiores propagadores do conceito HyCare (cuidado) na atividade suinícola pelo mundo. Mark contou que quando os antibióticos foram restritos naquele país, a vacinação foi intensificada e ajudou os rebanhos a vencer desafios em um primeiro momento, mas se mostrou ineficiente em médio prazo.

Ele cita que um conceito muito mais antigo, a higiene, é a solução para os problemas causados pela retirada dos antibióticos e para se inserir na quarta revolução industrial. “Saúde como solução ao uso de antibióticos. Higiene para a suinocultura 4.0”, aposta o profissional.

De acordo com ele, a Holanda tem 950 mil matrizes e 12 milhões de suínos em terminação. Marc conta que “a densidade aumentou as infecções e a resistência antimicrobiana, fazendo governos aprovarem reduções” no uso desses medicamentos. Ele conta que em 2011, “a primeira redução foi fácil, mas foi ficando cada vez mais difícil” controlar a pressão de infecção, infortúnio que foi combatido em um primeiro momento com vacinação. “A gente aumentou a vacinação no início, o que ajudou bastante. Mas em 2017, governo e varejo falaram: ‘temos que fazer algo que não está resolvendo. Chegou a hora de encontrar outro caminho, não só a vacina”, citou.

Cuidado padrão em cuidado elevado

Para ele, os cuidados básicos ainda são a melhor alternativa para a produção sem o uso de antimicrobianos e que suinocultores holandeses que utilizam o método HyCare reduziram em até 90% o uso desses fármacos na produção animal. O método se baseia em nove eixos, que são os seguintes: água de bebida limpa, superfícies sem poros, controle de pragas, fluxo de pessoas, método consistente de manejo, limpeza e desinfecção, higiene pessoal dos colaboradores e manejo das carcaças.

“Ao aplicar o método HyCare todos os produtores alcançaram mais de 90% de redução no uso de antibióticos”, argumentou o profissional, líder em Desenvolvimento de Negócios para a Europa da MS Schippers. Entre outros resultados positivos, segundo dados apresentados por Marc, estão melhor conversão alimentar (5%), melhor crescimento (12%), além de menor mortalidade e melhor classificação das carcaças.

“Temos que encontrar maneiras de evitar, prevenir as doenças. A OMS (Organização Mundial da Saúde) também mudou sua estratégia. Trabalhava muito com vacina e antibiótico e está mudando de estratégia. Hoje tem muita gente sobrevivendo só bebendo água limpa e lavando as mãos. Na pirâmide da saúde, a higiene está na base, é o principal. As soluções estão na base. A única maneira de trabalhar de forma higiênica na suinocultura é cuidar dos animais de forma excelente. Essa é a via para o futuro; transformar o cuidado padrão em cuidado elevado”, sustenta.

Cinco pilares

Cinco são os principais pilares para que o modelo HyCare seja implementado na suinocultura, aponta o profissional. Agua de bebida limpa é a primeira delas, mas ainda há falta de cuidado sobre o tema. “Hoje a água de bebida não é suficiente boa, contendo patógenos, inclusive Salmonella. O problema muitas vezes é o sistema de transporte. O produtor começa com água limpa e (no fim da linha) acaba suja”, pontua. De acordo com ele, fatores como velocidade baixa da água e tubulação muito grossa, entre outros, podem afetar a qualidade da água.

Outro pilar citado por Marc tem relação com a infraestrutura das granjas. Na opinião dele, em granjas que contêm materiais porosos, como concreto, é mais difícil manter um ambiente livre de patógenos. “Outro pilar são as superfícies não porosas. Se tiver porosa, como madeira e concreto, os patógenos vão entrar e ficar ali. Você limpa, aquece, mas os patógenos do ciclo anterior estão ali. Por isso os novos galpões (que usam mais inox, por exemplo) têm melhores resultados. Sempre há população de patógenos do ciclo anterior. Uma forma de lidar com isso é revestimento que repele água”, explica.

Limpeza e desinfecção é o terceiro pilar, cita Marc, revelando que o número de microrganismos de um centímetro quadrado tem eu diminuir de 500 milhões para menos de 500. “Em um galpão há 500 milhões de microrganismos por centímetro quadrado imediatamente após a retirada dos animais. Se lavar com água, cai para 20 milhões. Se limpar com sabão, cai para 100 mil, mas se desinfetar cai para menos de 500 microrganismos por centímetro quadrado”, cita. “Por isso é necessário remover a gordura e a proteína, usar sabão, desinfetante, lavar pratos, galpão, tudo”, comenta.

Para ele, o controle de pragas também é de fundamental importância na utilização do sistema HyCare. “Tem que erradicar todos, fechar o galpão, ter a certeza de que o único animal no galpão é o suíno”, disse, exemplificando: “a ponta da pata das moscas, por exemplo, tem 250 bactérias”.

Para ele, o mais importante nisso tudo é seguir os procedimentos padrões. “O mais importante é o método. Não leve carona para dentro da granja. O patógeno não pula sozinho. É preciso higiene em seus pés e suas mãos, precisa cortar a comunicação (entre áreas), fazer compartimentos, fazer de forma consistente”, orienta Marc.

“O método se traduz em uma situação ganha-ganha em saúde, bem-estar (animal e empregado), ambiente e preço de custo”, garante o líder da MS Schippers.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

FACTA Dez 2018

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