Sanidade - 21.06.2018

Compost barn faz despencar casos de mastite

Produtor do Paraná diminuiu contagem de células somáticas de 500 mil para menos de 200 mil após adoção do sistema

- Giuliano De Luca/OP Rural

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O produtor de leite Douglas Vorpagel sabe bem a diferença entre um rebanho cheio de mastite e um com baixos índices. Há poucos mais de três anos, quando os animais ficavam soltos em piquetes, a doença acometia em níveis altos os animais da propriedade, em Marechal Cândido Rondon, PR. O resultado era um leite de qualidade inferior, pouca produtividade e muitos gastos com medicamentos para tratar os animais. O controle veio, de acordo com ele, a partir do momento em que mudou a forma de produção para o compost barn. Nesse sistema, as vacas ficam confinadas em um ambiente mais controlado do ponto de vista sanitário, têm menos contatos com microrganismos causadores da mastite e melhoram seu desempenho.

Vorpagel conta que depois de viajar muito para conhecer sistemas de compost barn, resolveu apostar. “Fiz várias viagens para conhecer a realidade dos produtores que já usavam esse sistema. Depois de muito tempo, observando o desempenho desses produtores, decidimos apostar”, conta.

“Tudo mudou mesmo quando a gente fez o compost barn, em junho de 2016. Antes a gente tinha a Contagem de Células Somáticas (CCS) entre 400 e 500 mil. Hoje está em cerca de 170 a 180 mil”, conta. As células somáticas são células de defesa. Quando maior o número verificado no leite, significa que a vaca foi mais atacada por microrganismos e teve que produzir essas células para combatê-los. “A produção, que nunca tinha passado de 23,5 litros por vaca de média, hoje está na média de 27 litros”, conta o pecuarista, de 29 anos. “Com mastite, avaca perde produção. É uma quantidade significativa”, alerta. “Além dos outros gastos no tratamento”, cita.

Douglas explica os motivos que o levaram a investir nesse novo modelo de produção. “As vacas ficam em um ambiente mais controlado, livre de bactérias, fungos e outros microrganismos. O compost barn melhora o manejo e o conforto dos animais. Eles têm mais bem-estar aqui”, explica. O galpão abriga 145 vacas, das quais 120 em lactação. Ele tem as laterais abertas, piso de maravalha que é batido duas vezes ao dia e muitos ventiladores à disposição. Nas laterais, há espaços separados e exclusivos para a nutrição, com cochos de água e dieta bem definidos e de fácil acesso.

Dentro do ambiente, há espaços divididos para as vacas em diferentes fases de produção. “A gente separa as vacas. Por exemplo, aquelas que acabaram de parir precisam uma alimentação melhor. Então elas ficam em um local. Outras que estão no pico de lactação ficam em outro lugar. Aquelas que estão terminando a lactação também ficam em outro lote”, aponta Vorpagel.

O investimento, de acordo com o produtor independente, está prestes a ser amortizado. “Só com a diferença do leite que estamos produzindo a mais e com a qualidade a estrutura vai se pagar em menos tempo do previsto, em menos de três anos”, aponta o paranaense. Ele explica, no entanto, que precisou tomar outras atitudes no cotidiano da propriedade para reduzir os níveis de mastite, desde a escolha do sêmen ao manejo após as ordenhas.

Linhas de atuação

O controle da mastite começa antes mesmo da inseminação das vacas na propriedade de Douglas Vorpagel. O sêmen que dará origem às novas vacas de produção é cuidadosamente selecionado. “Não criamos bezerras que tenham grandes chances de desenvolver mastite. A gente escolhe um sêmen com baixa CCS para termos filhas com baixos índices de mastite”, explica o produtor de leite. Outras frentes, como manejo e dieta, também são observadas para controlar essa doença tão presente nos rebanhos leiteiros de todo o país.

“Não é só o compost barn que resolveu meu problema. Vários fatores influenciam no controle da mastite. Um deles é a dieta. Se a vaca não está bem nutrida, ela não tem imunidade suficiente e fica mais suscetível à mastite”, sugere. Em sua propriedade, elas são alimentadas com “pré-secado, silagem de milho e ração, com aditivos, como sequestrante de micotoxinas, sal mineral, levedura e tamponante”.

O ambiente mais controlado sob aspectos de temperatura e sanitário do compost barn, na opinião do jovem, contribuiu para a queda nos índices de CCS. Acho que é o jeito de criar. Antes as vacas ficavam soltas, agora ficam em um ambiente mais controlado, com menos contatos com bactérias”, revela. “Além do mais, elas têm mais conforto”, amplia.

Os seis trabalhadores que lidam com a pecuária leiteira na propriedade de Vorpagel sabem que higiene é palavra de ordem na sala de ordenha. “A limpeza na sala de ordenha deve ser sempre observada. Não dá para passar mastite de uma vaca para outra”, sugere. “De toda forma, uma única vaca influencia o resultado do tanque. Como a margem de lucro é de centavos, temos que ter esse cuidado. Perde em produtividade, mais também perde dinheiro em qualidade”, sustenta. Isso porque determinadas empresas variam o preço do leite de acordo com parâmetros de qualidade, entre eles um dos principais é a Contagem de Células Somáticas. Quanto manos, mais valorizado é o produto que sai da fazenda.

Para o produtor, até a “aposentadoria” dos animais diminuiu com a nova forma de trabalho. “Melhorou tudo, a qualidade do leite, a produtividade, o bem-estar das vacas. Inclusive estamos usando menos remédios e tendo menos descartes”, avalia. As cerca de 120 vacas holandesas em constante lactação produzem, diariamente, cerca de 3,2 mil litros de leite.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

FACTA Dez 2018

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