Biosseguridade - 14.02.2018

Compartimentação protege a avicultura brasileira

Compartimentação permite que uma subpopulação animal seja separada de demais animais, sejam eles domésticos ou silvestres

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Maurício Schiavo Marchi, médico veterinário e técnico Comercial da Theseo Saúde Animal

A compartimentação é definida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e possui como objetivo certificar uma subpopulação animal com um status sanitário preservado de Influenza Aviária (IA) e Doença de Newcastle (DNC).

O Programa de Compartimentação baseia-se em procedimentos de biosseguridade a fim de favorecer o controle destas e outras doenças e assegurar a manutenção do comércio avícola internacional. Desta forma, haverá uma redução dos impactos econômicos provocados pelo bloqueio das exportações devido a possíveis surtos destas doenças e a garantia de uma maior segurança sanitária à produção brasileira.

A compartimentação permite que uma subpopulação animal seja separada de demais animais, sejam eles domésticos ou silvestres. Isso é viável graças a medidas de biosseguridade. Se, por ventura, ocorrer um surto de alguma doença, o sistema de compartimentação permite ao país que o utiliza, tirar proveito das relações epidemiológicas entre os compartimentos e das medidas de biosseguridade para facilitar o controle da enfermidade e/ou a continuidade do comércio de carne e ou material genético entre os países.

A gestão e medidas de biosseguridade são os pilares principais de um compartimento. Os fatores geográficos também possuem um papel importante na separação adequada do compartimento e das populações animais circulantes e de diferentes status sanitário. Além disso, a infraestrutura dos núcleos de produção animal que compõem um compartimento também possui grande contribuição para a eficácia da biosseguridade do mesmo.

IA e DNC

As doenças (IA e DNC) são altamente relevantes para a avicultura, sendo consideradas como emergenciais e com grande potencial de causar impactos econômicos, devido às restrições comerciais e sanitárias.

Várias podem ser as fontes de contaminação e os fatores de risco para introdução destas duas doenças: água, ração, pragas, genética, pessoas, veículos, equipamentos, materiais que compõem a cama, etc. Os prejuízos financeiros causados por estas doenças ao redor do mundo são astronômicos. Países como Estados Unidos, México, Chile, além de países asiáticos e europeus, sofreram surtos de uma ou duas das enfermidades citadas. Além de prejuízos financeiros, são doenças altamente relevantes no contexto de saúde pública.

Para os lotes de animais afetados pelo vírus da HPAI (Influenza Aviária Altamente Patogênica), os índices de mortalidade podem chegar a 100%, dependendo da espécie acometida e o hospedeiro. Para a DNC, em casos severos, a mortalidade pode chegar até 100% do lote em poucos dias.

Implantação do Compartimento

As granjas e empresas que estiverem interessadas na criação de seus respectivos compartimentos terão que se adequar às normas de certificação sanitária, através da publicação da Instrução Normativa nº 21, de 21 de outubro de 2014, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A IN oficializa o modelo produtivo e estabelece premissas a serem seguidas para que a empresa interessada a seguir o modelo de compartimentação seja certificada como tal e receba auditorias e supervisões regularmente.

Para este fim, cada setor ou fase da cadeia avícola recebe um check list de compartimentação específico. Por exemplo: granjas de reprodução, granjas de corte, incubatórios, fábricas de ração e frigoríficos.

Exemplo de check list de compartimentação, do Mapa, para granjas de corte

Protocolo de Biosseguridade, Limpeza e Desinfecção

A unidade conta com um protocolo de biosseguridade?
A unidade conta com um programa de limpeza e desinfecção?
O programa de limpeza apresenta metodologia e frequência definidas?

O programa de limpeza prevê a utilização de produtos com eficácia comprovada para IA e DNC?

Analisando o questionário, o check list pede utilização de produtos que tenham ação comprovada, através de testes e laudos de eficiência, contra as doenças de Newcastle e Influenza Aviária. Outro item avaliado é o controle de pragas, que também consta no check list, como no exemplo abaixo:

Controle de Pragas (Insetos e roedores)

A unidade conta com um programa de controle de pragas?

O programa define:

A frequência das inspeções?
A localização das armadilhas e iscas?
Os responsáveis pelo programa?
Existem registros da realização do controle de pragas?

Os registros incluem a identificação do produto utilizado, nome comercial, data da validade, data da aplicação e resultados das inspeções?

Além disso, a IN trata de outras exigências para a certificação: instituição de uma Equipe de Gestão de Compartimento (EGC), documentação necessária para o serviço veterinário oficial, registro de granjas e incubatórios, instituição de POPs para as medidas de biosseguridade, registros auditáveis de todos os procedimentos de biosseguridade, registros de medicações realizadas no lote, capacitação de todos os profissionais envolvidos, registros quanto ao consumo de água, ração e outros índices zootécnicos, fluxo de pessoas e veículos, qualidade da água, etc.

Conclusão

O Programa de Compartimentação confere ao sistema de produção avícola brasileiro uma garantia adicional de segurança sanitária e vem para complementar outros programas já implantados, como o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) e o Programa de Regionalização, e outras medidas como a Instrução Normativa no 56 e no 59 do Mapa, que define as normas e procedimentos de biosseguridade para registros dos estabelecimentos avícolas.

O Brasil, país líder em exportação mundial de carne de frango, está sujeito a normas sanitárias e de biosseguridade cada vez mais rígidas. O Programa de Compartimentação veio para afirmar esta posição de destaque e de certificar a alta qualidade dos nossos produtos ao mercado interno e internacional.

Mais informações você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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