Cultivar - 18.09.2017

Como escolher a cultivar de soja certa?

Produtor levar em conta características como zoneamento agrícola, saber dos problemas de doença que há na propriedade e realizar a diversificação do cultivar são alguns dos detalhes que fazem a diferença nos resultados finais

- Francine Trento/OP Rural

 -

Um trabalho que aos olhos dos leigos parece simples, mas quando chega ao produtor não é tão fácil, a escolha da cultivar correta, com tantas opções e diferentes tecnologias, tem se tornado uma tarefa não muito fácil. As distintas opções à disposição fazem com que o produtor deva olhar diversos fatores, como o clima em que está a propriedade, quais são as doenças e problemas existentes naquele local, qual o zoneamento da área, entre outros. O pesquisador da Embrapa Soja, Carlos Pereira de Melo, afirma que é importante o produtor se munir de todas as informações possíveis quanto a melhor cultivar para a propriedade, já que isso garantirá melhor rentabilidade com sustentabilidade.

O primeiro ponto em que o produtor deve estar atento no momento da escolha da cultivar é levar em consideração aquele material que está mais adaptado aquela região em que ele vai plantar. “Essa adaptação está associada a obter maiores produtividades. Geralmente, materiais que têm apresentado médias e altas produtividades estão associados a alguma resistência a determinada praga”, explica Melo. O pesquisador informa que isso vai depender para que região o produtor está querendo plantar. “É sempre interessante alinhar produtividade a materiais que tenham médias e altas fertilidades com resistência a alguma doença que possa ser problema na área que vai plantar essa cultivar”, diz.

Melo comenta que o que o produtor está sempre olhando, no momento de escolher a cultivar, é a produtividade que aquele material oferece. Porém, para que isso ocorra, é imprescindível que o agricultor saiba se aquele material tem indicação para a região em que ele vai plantar. “É importante sempre que o produtor siga isso, os materiais que vão estar presentes no zoneamento agrícola, porque são eles que estão indicados para aquela região”, conta. Além disso, quanto a parte do zoneamento, que deve ser respeitada, Melo afirma que é fundamental, isso porque é através dele que o agricultor consegue angariar a questão de um seguro ou financiamento oficial. “Se o produtor for atrás de algum financiamento oficial para a lavoura, para custear parte dela, ele precisa plantar alguma cultivar que esteja indicada e que esteja contemplada no zoneamento agrícola”, explica.

O pesquisador comenta que outros fatores, como o clima da região, qual a época da semeadura, qual o melhor material para cada época, qual vai responder melhor ao crescimento e desenvolvimento, qual o tipo de solo, que tipo de doenças ocorre naquela região, entre outras, são importantes de serem analisados. “Porque a questão da resistência é muito importante já que é uma tecnologia barata, que está associada dentro da genética, e que o produtor precisa utilizar no caso de ter um problema. Mas, caso ele não tenha problemas, pode optar por um material que vá produzir mais”, diz. Melo comenta que existem várias opções de cultivares no mercado, por isso produtores e assistentes técnicos devem sempre estar atentos à questão de quais materiais são mais indicados para a região em que se encontra a propriedade.

Outro detalhe dito por Melo é que é importante olhar as cultivares, porque uma que funciona muito bem em um município, na cidade vizinha pode não ter o mesmo efeito. “Existem questões mais regionalizadas, mais localizadas para determinado município, determinada gleba da fazenda em que aquele material vai responder melhor”, comenta. O pesquisador acrescenta que o produtor deve estar atento, assim como agrônomo e assistente técnico, para indicar sempre a cultivar que vai garantir maior rendimento, retorno e rentabilidade para o agricultor.

Diversificação de Cultivares

O que também faz a diferença para uma boa produtividade é o produtor, independente da área em que está, plantar mais de uma cultivar. “É interessante. Tem materiais com ciclo mais precoce, outro semi-precoce, ou um material que está indicado plantar mais cedo, na semeadura antecipada, porque com isso o produtor minimiza os riscos com uma questão principalmente associada ao clima, como por exemplo um veranico mais forte em determinada safra. Se ele apostar em um único material, pode acontecer de ter uma perda maior. Mas, tendo mais de um material, com diferentes ciclos e genéticas, em termos de resistência a determinada doença, o produtor vai minimizar os riscos na lavoura”, explica. Melo afirma que a pesquisa recomenda essa diversificação de cultivares. “E não somente diversificação de cultivares, mas também a questão temporal, de plantio mais cedo ou mais tarde, tecnológica e espacial”, comenta.

A importância da rotação de cultivares é ainda destacada pelo pesquisador pela necessidade de manter a tecnologia da cultivar. “Se o produtor usar sucessivamente determinada cultivar, a probabilidade de ela perder a tecnologia é grande. Quanto mais usa determinada tecnologia, safra após safra, ela perde o efeito”, diz. Ele reitera que a tecnologia é muito boa, mas é uma ferramenta que precisa ser atualizada.

O pesquisador orienta que produtores que tenham condição de uma área limpa de plantas invasoras podem, sem problemas, voltar a produzir a soja convencional. “É também um tipo de tecnologia, que tem produtividade”, informa. Melo conta que em vários mercados no Brasil pagam bônus para quem produz este tipo de soja. “Alguns mercados têm pagado um extra, baseado no mercado internacional. Então, se o preço da soja hoje, por exemplo, está R$ 60 na commodity, ele ganha US$ 3 a mais por saca da soja convencional”, diz. Melo fala que esta é outra alternativa de tecnologia que o produtor tem e pode utilizar nessa linha de diversificação de cultivares.

Mais Produtiva ou Mais Resistente?

O pesquisador alerta que não necessariamente uma cultivar que é mais resistente será mais produtiva. Melo informa que se há algum problema na propriedade, é importante sempre escolher pela cultivar com as características de resistência que ele precisa. “É importante o produtor alinhar e saber o que ele tem na área, qual o problema daquela região”, comenta. “É importante o agricultor saber qual o problema que ele tem em relação a doença. Se não tem problema, então sim o produtor pode investir em uma cultivar mais produtiva que tenha adaptação”, completa.

O pesquisador diz que o agricultor pode investir em um material que não precise ter resistência e que vai resultar em uma produtividade alta também, isso, somente, se o local em que está a propriedade não há problemas sanitários ou de solo, por exemplo. “Além disso, é importante o produtor basear essa informação não de uma única safra, mas de outras anteriores. Isso porque pode ser que em uma safra ele vai ir bem, mas na outra muito mal. É preciso buscar o material que seja estável para diferentes safras”, aconselha.

Para saber este tipo de informação, o produtor pode procurar com várias entidades, como a própria Embrapa, ou mesmo a cooperativa da qual faz parte. “Essas informações as empresas têm todos os anos. Se o produtor se basear na informação de um único ano daquele material, pode ser que venha prejuízo”, diz. No momento da escolha, é melhor que o produtor leve em consideração, no mínimo, duas safras para ter uma ideia melhor sobre determinada cultivar, afirma o pesquisador.

Melo reitera que é importante que o produtor busque por informações das cultivares, já que cada uma tem características de funcionamento, melhor época de plantio, manejo, melhor população, entre outras. “É fundamental que ele tenha esse conhecimento, e as empresas detentoras de genética disponibilizam esse tipo de informação. Cada cultivar tem uma informação, uma tecnologia a ser seguida, seja de manejo, indicação ou sistemas. Isso é importante a assistência técnica levar em consideração e passar ao produtor”, comenta.

Com as informações que o produtor leva em consideração no momento de escolher a cultivar, como atender ao zoneamento, com material indicado, ele consegue ir restringindo as opções até encontrar alguma que atenda as necessidades e seja o mais próximo da ideal para a condição que ele tem. “Produtor e assistência técnica devem ter uma visão holística da produção, visando a sustentabilidade da atividade. A agricultura é uma atividade de risco, então, como buscar uma produção sustentável a médio e longo prazo? Essa é a questão da escolha da cultivar”, diz.

Para o pesquisador da Embrapa soja, a escolha da cultivar é primordial para o sucesso da safra, mas não é única, não trabalhando sozinha. “Tem que ter uma visão holística de tudo, do solo, da tecnologia de aplicação, da forma e momento correto de aplicar. É importante que o produtor tenha uma visão de futuro para que a cultivar escolhida tenha sucesso e que ele busque a maior rentabilidade com sustentabilidade”, pontua.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Farmácia na Fazenda

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

Farmácia na Fazenda