Nutrição - 30.11.2017

Cigarrinha na pastagem reduz produção em até 4 litros/dia/vaca, afirma pesquisador

Estratégias adequadas de manejo permitem que produtor não tenha perdas com nutrientes nas pastagens, além de perdas em litros de leite/dia

- Arquivo/OP Rural

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Parte básica da produção de bovinos, a pastagem também merece uma atenção especial. Oferecer aos animais uma alimentação balanceada e rica em nutrientes é essencial para quem busca por uma produção de excelência. Para falar um pouco da importância desta atenção redobrada que é preciso ter, o doutor Leandro do Prado Ribeiro, do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar/Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Cepaf/Epagri), falou sobre “Manejo integrado de pragas - MIP: ênfase em insetos-praga de pastagens perenes de verão” durante o 7º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, que aconteceu entre os dias 07 e 09 de novembro em Chapecó, SC.

Tomar cuidados básicos de manejo de pastagens para uma boa alimentação é essencial nas fazendas. “Para fazer o correto manejo de pragas é preciso identificar o problema chave, avaliar os inimigos naturais, ver os efeitos dos fatores climáticos, o controle populacional e técnicas de amostragem: como qual o nível de infestação, quanto controlar, o que controlar. São pontos essenciais para decidirmos ou não pela terminação do sistema”, enfatiza Ribeiro.

De acordo com o profissional, a maior ocorrência de pragas em pastagens está associada a maiores temperaturas e maior crescimento de pastagens perenes de verão. “Nós temos aqui na região Sul um problema sério de cigarrinhas, que começa em setembro e se estende até março, dependendo da temperatura que ocorre o verão”, conta. Ele explica que estas cigarrinhas causam sérios problemas na pastagem, já que como se alimenta dela, causa danos e tiram os nutrientes necessários aos bovinos.

Ribeiro destaca que mesmo na ausência de insetos o efeito da infestação de cigarrinhas continua no segundo período de crescimento das plantas. “O crescimento das pastagens também é comprometido, ou seja, tivemos um problema de cigarrinhas lá em novembro, mas o efeito dela, mesmo se tivermos uma boa intervenção, não vai ser somente naquele ciclo de crescimento. O efeito vai ser persistente ao longo de todo o crescimento da forragem”, conta. E ainda por conta da infestação das pragas, o profissional informa que há não somente diminuição significativa na matéria seca, mas também uma redução considerável no número de proteína, teor de fibra e níveis de nutrientes. “Ou seja, o pasto fica pobre nutricionalmente”, afirma.

Os prejuízos deste efeito são vistos com facilidade, assegura Ribeiro. “A redução de produtividade fica em três a quatro litros de leite por vaca por dia”, diz. O problema se acentua porque com o pasto totalmente seco muitas vezes as vacas rejeitam aquela alimentação”.

Ribeiro destaca que o produtor precisa estar atento todos os dias quanto a possível infestação de cigarrinhas, isso porque quando a praga se alimenta o efeito na planta só é observado de 13 a 21 dias após a alimentação. “Quando o pecuarista verificou o pasto danificado já ocorreu a alimentação e os insetos já estão na fase adulta, quando iriam morrer naturalmente”, conta.

Time de Manejo

O profissional destaca que é importante que o produtor tenha time de manejo. De acordo com Ribeiro, a partir de setembro até o início de maio é o primeiro ciclo populacional das pragas, que é menor. “Este é geralmente o efeito dos ovos que foram depositados antes do inverno”, conta. Há ainda o segundo pico populacional, que pode ser de 50 cigarrinhas por metro quadrado. “Aí já é um ponto crítico”, afirma. Ribeiro diz que se o produtor conseguir posicionar uma estratégia, considerando que a taxa de população das cigarrinhas não ocorre a mais de 50 a 100 metros, ele já conseguiria reduzir o maior problema que ocorre nos meses de novembro, dezembro e janeiro.

Aplicação Errada

Outro ponto destacado pelo profissional e que ele reitera ser importante para o time de manejo é quanto à aplicação de inseticidas para acabar com as pragas. “Acredito que 90% das aplicações usadas para controle de cigarrinhas são feitas no momento inapropriado. Com isso temos um problema com desiquilíbrio do ambiente, além de estar jogando o produto fora e contaminando o meio ambiente”, comenta.

O profissional explica que essa aplicação errônea acontece, principalmente, por conta do produtor somente se preocupar quando vê a forragem já em um grave estado. “Quando vê a forragem queimada então somente vai buscar ajuda do técnico, ver qual defensivo ele precisa utilizar”, diz. Ele explica que isso é um problema por conta dos danos demorarem para aparecer. “Você vai estar pulverizando para matar o animal velho, que já depositou, já se alimentou, já causou danos no primeiro e segundo ciclo da forragem, já comprometeu a pastagem. Você somente vai estar jogando inseticida no ambiente”, afirma.

Ribeiro reitera que é importante fazer o monitoramento das pastagens para saber o momento certo do controle. Ele diz que o time é tão importante quanto se preocupar quando o dano já está estabelecido. “95% dos produtores estão jogando produto fora, contaminando o ambiente, porque no período em que ele está fazendo a aplicação o inseto já depositou, se alimentou, ingeriu a toxina e no próximo ciclo populacional será mais alto. A situação acaba agravando o problema quando deveria haver uma redução no impacto de pragas”, afirma.

Contaminação de Pragas

Uma forma muito comum de ter pragas nas pastagens é quando há uma área de plantação ao lado. “Vizinho ao pasto há milho com maturação fisiológica. Neste caso há infestação de mariposas. Como no milho elas não terão o hospedeiro preferencial para se alimentar, elas vão para um alternativo, que é a pastagem”, conta. Ele explica que no milho a mariposa tem um efeito de canibalismo, pela baixa quantidade de alimento que há para todos os animais. “É uma população que pode chegar a duas mil pragas, mas na segunda ou terceira semana há esse ato de canibalismo, por competirem pelo mesmo sítio”, diz.

Porém, como nas pastagens há alimento disponível para todas e com boa qualidade, não vai existir a necessidade de uma comer a outra. “No milho, no final irá sobrar uma, duas lagartas. Mas na pastagem sobram todas. E aí temos um nível de população de até mil lagartas por metro quadrado”, conta.

Estratégias de Manejo

Ribeiro afirma que é preciso que o pecuarista busque diferentes tipos de integrações e estratégias de manejo. “Utilizamos a preservação natural, resistência de plantas, manejo de altura do pastejo, pastagem diversificada e adubação equilibrada”, comenta. Ele conta que quanto mais aumenta a dose de nutrientes, mais aumenta o desenvolvimento de cigarrinhas. “A adubação desequilibrada que acontece favorece em muito o desenvolvimento das pragas”, diz.

Uma estratégia sugerida pelo profissional é a utilização do controle biológico de pragas, com fungos e patógenos. “Você solta isso no ambiente e ele pode atacar a cigarrinha, proporcionando um controle biológico no ambiente. É um agente que faz um papel de graça para nós e é fundamental se quisermos estabelecer o equilíbrio e ter um manejo mais efetivo no campo”, afirma. Ele ainda destaca que o manejo integrado de pragas é essencial se o produtor quiser criar algo um pouco mais estável e sustentável. “Precisamos fazer isso de uma forma ou de outra, a não ser que queiramos agravar o problema”, entende.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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