SBSBL - 08.11.2018

Chapecó recebe 700 profissionais da bovinocultura de leite

Programação científica apresenta palestrantes altamente qualificados e abre espaço para amplo debate sobre legislação, qualidade do leite, exportação, sanidade, nutrição, entre outros

- Samara Braghini

A 8ª edição do Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite reúne 700 profissionais da cadeia leiteira entre 06 e 08 de novembro em Chapecó, SC. Com palestrantes nacionais e internacionais, o evento está sendo palco de importantes debates que permeiam o sistema produtivo na atualidade. A programação científica desta edição apresenta palestrantes altamente qualificados e abre espaço para amplo debate sobre: legislação, qualidade do leite, exportação, sanidade, nutrição, entre outros.

Em seu segundo dia de programação técnica, 07 de novembro, o SBSBL discutiu novas estratégias para melhorar a eficiência reprodutiva de rebanhos leiteiros com  José Luiz Moraes Vasconcelos. Em sua palestra, Vasconcelos destacou aspectos essenciais para a reprodução, a importância de ver o sistema como um todo, observar todos os detalhes e avaliar a sequência lógica dos eventos. “No dia a dia da atividade não fizemos coisas lógicas e sequenciais. Nós, técnicos, temos que discutir claramente com o produtor a necessidade de mudança. A gente fica de jeitinho em  jeitinho e não sai do lugar”, alertou. “A reprodução é o termômetro de uma fazenda de gado de leite”, disse.

Na sequência, a programação incluiu palestra sobre como minimizar perdas e potencializar a produção de leite no processo de produção de silagem, com Thiago Bernardes. O professor apresentou resultados de estudo relativo a silagem em 149 propriedades leiteiras em cinco estados. “Uma radiografia do que as fazendas, grandes e pequenas, fazem em relação a termos de dietas e como a silagem está sendo utilizada”.

Com o auditório do Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nês lotado, o pesquisador da Embrapa,  Vanderley Porfírio da Silva encerrou a programação da manhã deste segundo dia de evento com palestra sobre o sistema silvopastoril na produção de leite. Vagner Miranda Portes, da Epagri, destacou a importância do status sanitário e prevenção da mastite na obtenção de um leite de qualidade. A palestra abriu a programação da tarde. “A Inglaterra levou 22 anos para que 60% do rebanho diminuísse a contagem de células somáticas para patamares aceitáveis. Nós estamos trabalhando isso há 13 anos, não é um trabalho fácil e rápido”.

“A ordenha é como uma orquestra, em que os vários componentes devem trabalhar em harmonia”, definiu o engenheiro mecânico Felipe Facchinelli, da FF Milking. A orquestra da ordenha, conforme Felipe, é um casamento entre a vaca, os colaboradores e o equipamento, que devem estar extremamente afinados. “O equipamento não corrige um mau manejo, mas o equipamento  potencializa o bom manejo”, resumiu.

A qualidade agrega valor à atividade, destacou a veterinária Mônica Maria Oliveira Pinho Cerqueira, em sua palestra “Legislação sobre Qualidade do Leite: Mudança, impactos e perspectivas para cadeia láctea”. A apresentação fechou a programação técnica do Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, nesta quarta-feira, 07 de novembro.

A qualidade, afirmou Monica, anda junto com a eficiência e traz lucratividade. “Quem ganha com a qualidade, em primeiro lugar, é a vaca. Teremos animais mais saudáveis, com maior longevidade, leite de maior qualidade, mais produção e produção maior de sólidos totais que é o que buscamos”, afirmou. A palestrante lembrou ainda que os processos de seleção no Brasil basearam-se fundamentalmente em volume e hoje, a necessidade, é de sólidos. Conforme ela, não dava-se atenção à qualidade da matéria-prima.  “Qualidade não tem volta, depende nós ter ou não ter qualidade no leite. A indústria, por melhor que seja, não consegue alguns problemas relativos à matéria-prima”. Conforme ela, é preciso mudar a forma como estamos agindo dentro da propriedade. “A gestão não vem sendo feita. Quando pedimos qual o custo de produção, muitas vezes, ouvimos respostas de que se fizer contas, para de produzir. É preciso lembrar que temos problemas muito sérios de produtividade e qualidade do leite”.

Monica ainda destacou que, nos últimos dez anos, Santa Catarina aumentou um crescimento de 82% na produção. O Brasil avançou 32%. “Acredito que, em cinco anos, um estado da região Sul ultrapasse Minas Gerais, que hoje é o maior produtor de leite do pais”.

Organizado pelo Nucleovet – Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas, o evento iniciou no dia 06 e prossegue até quinta-feira, 08 de novembro de 2018, no Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nês, em Chapecó-SC.

Fonte: O Presente Rural

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