Saúde Animal - 04.05.2017

Cascudinho provoca perdas zootécnicas e estresse que pode condenar carcaça

Cascudinho é encontrado em toda a estrutura do galpão, mas onde há maior incidência é na cama do aviário, pois o ambiente é o mais propício para o desenvolvimento do inseto

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Marcelo Ivair Giachini - Assistente Técnico Comercial Aves da Vetanco; Rodrigo Cesarin - Assistente Técnico Comercial Aves da Vetanco; e Fabio Luis Gazoni - Coordenador Técnico da Vetanco

O cascudinho é encontrado em toda a estrutura do galpão, mas onde há maior incidência é na cama do aviário, pois o ambiente é o mais propício para o desenvolvimento do inseto. Nesse caso, principalmente, embaixo dos comedouros onde há uma quantidade maior de ração que é desperdiçada, servindo de alimento para o mesmo. Tudo inicia que sua infestação ocorre já no primeiro alojamento das aves, possíveis insetos que tenham ficado de lotes anteriores e através da migração dos mesmos de outros aviários.

As fêmeas iniciam a postura em 6 a 10 dias após o acasalamento. Cada fêmea produz aproximadamente 3,5 ovos por dia. Após eclodirem, passam por um estágio larval, tornando-se pupas e finalmente o cascudinho adulto.

Os prejuízos provocados à avicultura são decorrentes da ingestão dos insetos principalmente na fase inicial das aves, pois são ingeridos pelas mesmas em grandes quantidades no lugar da ração balanceada.

Segundo a avaliação realizada por Gazoni et. al. (2014) no sétimo dia de idade dos frangos de corte, o ganho de peso (g) e a conversão alimentar (CA) de 60 frangos de corte misto de determinada linhagem.

A ingestão do cascudinho determinou uma diminuição do consumo de ração, ocorrendo menor ganho de peso de 15,16 g/ave e o aumento da conversão alimentar em 0,134 no sétimo dia de vida das aves em comparação com o grupo controle.

Além da perda zootécnica, inúmeros trabalhos demostram o potencial do cascudinho em transmitir bactérias, vírus, fungos e protozoários.

Segundo Arends (2003) o Alphitobius diaperinus pode transmitir os vermes chatos Raillietina cesticullus, R. magninumida, Choanotaenia infundibulum, Hymenolepis carioca, H. diminuta e H. cantaniana.

Segabinazi et al., (2004) coletou insetos em seis empresas avícolas nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina - 54 amostras em aviários de frangos de corte e dez em aviários de perus. Concluiu que o cascudinho (Alphitobius diaperinus) possui em sua superfície externa e interna diversas bactérias da família Enterobacteriaceae. Essas bactérias podem ser patogênicas para as aves que estão em contato direto com o inseto, podendo ser caracterizado como vetor mecânico destas bactérias nos aviários estudados.

Portanto, além das perdas diretas em produção, o Alphitobius diaperinus pode transmitir inúmeros patógenos.

Nos lotes com aves mais velhas o prejuízo causado pelo inseto é o estresse. No caso de infestações altas as aves são incomodadas pelos cascudinhos, podendo haver lesões no peito da ave e posteriormente uma possível condenação desta carcaça no abatedouro.

Controle

Hoje temos basicamente três métodos para o controle, que são o controle químico, controle biológico e controle físico-químico, neste caso a fermentação de cama.

A lona é uma grande aliada no controle do inseto, pois quando colocada sobre a cama e bem vedada, o cascudinho morre. Também é necessário associar o uso de um inseticida em pó em pontos estratégicos (possíveis pontos de fuga do inseto).

Tudo começa com um bom vazio sanitário, quando a cama deve estar o mais seca possível. A umidade é um ponto negativo quando se trata de cascudinho. Quanto mais umidade na cama, maior será a proliferação dos insetos.

A intervenção química é recomendada, mas quando bem utilizada. É muito importante a utilização correta do inseticida químico para que não haja resistência adaptativa futura dos insetos. Todo inseto precisa de uma dose letal de inseticida para morrer, quando essa dose não for utilizada ou administrada na forma correta, com o passar do tempo, a dose comumente usada não terá mais efeito sobre o mesmo. Dessa forma, é necessário o aumento a dose para que o efeito seja positivo. Contudo, relembrando que tudo passa por um bom manejo no momento da aplicação do inseticida.

Para seu controle, devem ser empregados inseticidas devidamente registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os produtos inseticidas que são aplicados no ambiente dos animais devem ter a comprovação da sua segurança de uso, garantindo que o mesmo não causará intoxicação nos animais e no homem , que é o responsável pela aplicação do produto. E que o mesmo não deixará resíduos nos produtos de origem animal (carne, ovos). Para isso, esses produtos devem ter a aprovação e licenciamento pelo órgão responsável, que é o Mapa.

Dessa forma, realizaremos o controle dos cascudinhos de forma mais eficaz e teremos uma maior segurança no produto final. 

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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