Suinocultura - 19.07.2018

Breve revisão sobre uso da marbofloxacina 16% dose única na suinocultura

Marbofloxacina atua como um antibiótico bactericida contra bactérias GRAM negativas envolvidas nas infecções intestinais, do trato respiratório, urinário e na síndrome metrite-mastite-agalaxia

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por André Maurício Buzato, médico veterinário especialista em Sanidade Suína e gerente Técnico Comercial Suínos da Vetoquinol Saúde Animal

A marbofloxacina é uma fluoroquinolona sintética de terceira geração, desenvolvida apenas para o tratamento veterinário individual. A marbofloxacina tem um amplo espectro de atividade contra muitos patógenos de importância veterinária, incluindo bactérias GRAM negativas e GRAM positivas. A marbofloxacina atua como um antibiótico bactericida, concentração dependente, contra bactérias GRAM negativas envolvidas nas infecções intestinais, do trato respiratório, do trato urinário e na síndrome metrite-mastite-agalaxia (MMA).

Para realizarmos uma escolha mais adequada do antibiótico injetável, diversos fatores precisam ser considerados, dos quais destaco os seguintes: agente infeccioso envolvido (isolamento bacteriano), antibiograma (sensibilidade),  espectro de ação, características farmacocinéticas e farmacodinâmicas, eficácia, praticidade, segurança para a cadeia alimentar e custo benefício do tratamento. A sensibilidade dos agentes bacterianos frente a um determinado princípio ativo é um dos principais parâmetros a ser considerados na escolha do antibiótico injetável.

Em um levantamento epidemiológico europeu a longo prazo (1998-2009) ficou constatado um alto padrão de sensibilidade da marbofloxacina frente aos principais agentes bacterianos GRAM negativos, causadores de doenças do trato genitourinário, respiratório e digestivo. As amostras foram obtidas antes dos animais receberem qualquer tratamento, não foram administrados antibióticos nas três semanas anteriores à obtenção das amostras.

A CIM (Concentração Inbitória Mínima) da marbofloxacina foi determinada pelo método de microdiluição, em que os pontos chaves foram 1 ≤ µg/mL para cepas sensíveis e 4 ≥ µg/mL para cepas resistentes. Estes resultados podem ser correlacionados com a história mais recente da marbofloxacina injetável 16% na suinocultura brasileira, que desde de 2014 também vem apresentando um alto padrão de sensibilidade, principalmente para os agentes bacterianos GRAM negativos.

Uso consciente

O uso consciente de antibióticos se faz cada vez mais necessário na produção animal, dentro deste contexto um novo conceito para antibióticos injetáveis vem ganhado força e espaço: SISAAB - uma sigla em inglês que significa Antibiótico de Curta Duração e Injeção Única. Este conceito consiste na utilização de um antibiótico bactericida com uma dose elevada (µg/mL) que cura rapidamente o animal com um tempo de exposição mínimo ao antibiótico, de modo que a ação da imunidade natural posse ser privilegiada depois que a infecção seja interrompida.

O antibiótico que é utilizado através do SISAAB necessita de toda uma tecnologia em sua fórmula e ter uma terapia baseada na Concentração de Prevenção de Mutação (CPM). A CPM tem sido definida como a Concentração Inibitória Mínima (CIM) da cepa mutante menos sensível. Na prática, esta terapia elimina as populações bacterianas sensíveis e as possíveis subpopulações bacterianas resistentes presentes no processo infeccioso.

Eficácia

Conclusões de alguns estudos científicos publicados em renomados simpósios e congressos demonstraram que uma dose única de marbofloxacina 16% na dosagem de 8 mg/kg é eficaz contra doenças respiratórias induzidas por Actinobacillus Pleuropneumoniae, Pasteurella Multocida e Haemophilus parasuis em suínos em fase de engorda. O regime posológico foi otimizado quanto à eficácia, sem promover o aparecimento de resistência.

A marbofloxacina 16% demonstrou ser eficaz (menor recidiva clínica e maior ganho de peso diário) e segura para o tratamento de colibacilose de ocorrência natural em leitões desmamados com diferenças estatisticamente significativas em relação ao regime de doses múltiplas de danofloxacina. A marbofloxacina 16% em uma única injeção revelou ser tão eficaz quanto uma marbofloxacina 10% em um protocolo de tratamento com três injeções para síndrome da mastite, metrite e agalaxia (MMA) em marrãs. Em outro estudo a marbofloxacina 16% em uma única injeção revelou ser bem tolerada e equivalente a três injeções de intervalo de 24 horas de enrofloxacina 5% em termos de cura de infecções do trato urinário por E.coli em marrãs. Um estudo realizado no Brasil em suínos de terminação objetivou avaliar a taxa de cura de doença respiratória clínica espontânea utilizando a marbofloxacina 16% (8 mg/kg) em suínos de terminação.

Conclusão

Podemos concluir que a antibioticoterapia injetável com a marbofloxacina 16% (8mg/kg) através de uma única injeção pode contribuir positivamente em todas as fases de produção da suinocultura em diversos aspectos: diminuição dos custos extras com medicações, menor risco de resistência bacteriana, maior segurança para cadeia alimentar, sincronia com o uso consciente de antibióticos, alta eficácia no tratamento, elevada taxa de cura, rápida recuperação clínica e rápido retorno às condições normais de produção.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

FACTA Dez 2018

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