Proteção - 19.06.2017

Brasil reforça regras de proteção à influenza aviária

Instrução Normativa dá prazo de um ano para produtores se adequarem às novas obrigações. Quem descumprir será impedido de comercializar

- Francine Trento/OP Rural

No fim de fevereiro o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) assinou uma nova Instrução Normativa (IN) que intensifica os cuidados de prevenção à influenza aviária no Brasil. Com a publicação no Diário Oficial, proprietários de granjas têm prazo de um ano para se adequar às novas regras, sob pena de restrição de alojamentos. Entre os principais critérios para o gerenciamento de granjas inadequadas estão o cercamento, instalação de arcos de desinfecção e o tratamento da água que é utilizada em todos os processos. O objetivo é reforçar e atualizar o programa de gestão de risco nos estabelecimentos avícolas de todo o Brasil. Dentro dos prazos estabelecidos, os produtores deverão protocolar um pedido de registro nas secretarias da Agricultura ou nas agências de defesa estaduais.

O avicultor Darci da Silva, de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, já estava preparado para as novas regras que estão sendo exigidas. Com quatro aviários com 23 mil aves cada, Silva já tem na propriedade todo o cercamento e os arcos de desinfecção. “Já instalamos tudo há quatro anos”, conta. Segundo o produtor, a instalação foi feita porque notaram a necessidade de proteger a produção. “Com os novos equipamentos, notamos uma diminuição significativa no número de pessoas que têm acesso aos aviários. Além dos carros e caminhões que agora quando entram nos limites dos aviários estão mais limpos”, afirma. Silva comenta que era comum que antes qualquer pessoa que chegasse à propriedade fosse até os aviários, mesmo sem autorização. “Agora, com todas as medidas protetivas, somente quando realmente é necessário alguém entra nos aviários. A sanidade melhorou bastante”, diz. Com isso, o risco de transmissão de alguma doença diminuiu consideravelmente, pontua Silva. “Seja para salmonella, influenza aviária ou qualquer outra doença”, fala.

O que pode passar pela cabeça de muitos produtores, agora que a instalação de tais equipamentos passou a ser obrigatória, é o custo que eles podem gerar. “O custo para a instalação de tudo não foi muito alto, considerando que a propriedade é grande e que são os quatro aviários estão protegidos”, informa Silva. Entretanto, diz que o investimento é sustentável.

Por conta da ocorrência da influenza aviária em países vizinhos, a Instrução Normativa brasileira é mais um reforço aos criadores de aves e às indústrias a terminar de implantar a proteção que já é existente há anos. A médica veterinária Camila Parada reforça que intensificar a prevenção contra a influenza aviária, melhorando as medidas de biossegurança nas granjas, deve ser uma ação permanente. Para que isso seja feito, ela orienta os produtores da importância de terem, além dos telas de proteção, arcos de desinfecção, o controle de visitas, limpeza e desinfecção sanitário dos utensílios em geral utilizados nas granjas, controle de galinhas caipiras e roedores, além da qualidade da água e ração, higienização das mãos, entre outras medidas. “Dessa forma, podemos evitar que essa doença entre nos planteis de aves”, diz.

Segundo o ministro Blairo Maggi, está sendo dado prazo aos produtores para todos se adequarem às novas exigências. “Mais importante do que ter uma norma, mais do que o dinheiro que as empresas do setor vão investir e o Mapa se adequar a esse planejamento, é o convencimento de 100% das pessoas envolvidas na avicultura de que o objetivo é proteger o setor, o seu patrimônio e o mercado que foi conquistado lá fora”, relatou. O ministro enfatizou tratar-se de medidas preventivas e falou também de penalidades previstas no caso de descumprimento. “Aquilo que é controlável, vamos fazer, vamos nos antecipar”. A determinação, segundo ele, é “de que quem descumprir prazo não poderá comercializar”.

O presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, lembra que 700 mil toneladas estão sendo retiradas de 45 países que notificaram a ocorrência da gripe aviária. “Todas as mudanças foram amplamente discutidas ao longo dos últimos dois anos com profissionais do setor e pelo nosso Grupo Estratégico de Prevenção de Influenza Aviária (Gepia). O Brasil é o líder mundial na exportação de frango, e reforçar o controle e a segurança fará com que a gente expanda ainda mais”, completa Turra.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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