Mercado Externo - 22.08.2017

Brasil precisa melhorar certificação da avicultura para ampliar mercados

Garantir segurança alimentar é somente uma das exigências de consumidores externos; professor doutor alerta para necessidade de mais clareza nas inspeções

- Arquivo/OP Rural

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Para aumentar a competitividade no mercado nacional e, principalmente, internacional, é preciso que os produtores de frango brasileiros passem a entender melhor como funciona o processo de inspeção, para saber repassar a informação ao consumidor de forma clara e que garanta, não somente a fidelidade, mas a confiabilidade de todo o processo produtivo. Para falar um pouco sobre este processo, o professor doutor José Maurício França palestrou durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) sobre o sistema de fiscalização e condenação em países concorrentes, como China, Estados Unidos e países da Europa, impacto sobre a competitividade brasileira e riscos sanitários.

De acordo com ele, há três aspectos que determinam a barreira a uma maior participação da avicultura brasileira no mercado internacional: barreiras comerciais, salvaguardas e restrições sanitárias e normas técnicas. “Adequar o produto às exigências dos clientes é uma rotina para empresas brasileiras com larga experiência em exportação. Apesar das barreiras comerciais, a avicultura permanece competindo para ter mais acesso aos mercados dos países desenvolvidos”, comenta. Para ele, embora o momento seja de complicadas negociações comerciais entre os países ricos por envolver aspectos relacionados a proteção de seus mercados, é determinante direcionar também o eixo de participação nos mercados dos países emergentes, uma vez que já há a entrada de consumidores com renda crescente e vontade de elevar seu padrão de alimentação, adquirindo produtos como a carne de frango.

França explica que nos países da União Europeia não há alimento à venda cuja cadeia produtiva não contenha dispositivos de certificação em todos os seus elos. “Se o Brasil quiser manter a competitividade no agronegócio terá de aprender a se readequar às regras dos mercados consumidores, que não abrem mão de conhecer a procedência do que estão comprando”, diz. Ele acrescenta que a condição de ressico é incompatível com a liderança, já que “tornamo-nos líderes em produção, porém, possuímos poucas certificações de qualidade consistentes”, afirma. Para o doutor, as maiores chances para a avicultura de corte brasileira crescer no mercado externo estão em mercados como México, Chile, Malásia, Coréia do Sul e China.

Além disso, os importadores exigem que o controle sanitário seja atestado pelo governo, uma vez que a indústria é parte interessada do processo. França comenta que as consequências do mal desempenho do perfil sanitário são conhecidas pela atividade industrial nos frigoríficos. O profissional citou algumas como os acúmulos de produtos nas linhas de inspeção, que geram contaminação dos produtos; as paradas do processamento industrial, por razões sanitárias acarretam a parada das atividades pelos operários nos frigoríficos; e as condenações decorrentes de motivos sanitários determinadas pelo Serviço de Inspeção Federal acarretam em prejuízos em toda a cadeia.

França diz que nos sistemas de produção de aves observa-se uma substituição gradativa dos antibióticos naturais como probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos, manoligossacarídeos, enzimas e os oligossacarídeos. “Para minimizar riscos de alimentos afetarem a saúde da população, a ferramenta mais atual de segurança alimentar, conhecida como gestão de risco, que é o processo através do qual se faz a seleção e implementação das medidas apropriadas para proteger a saúde do consumidor sem, necessariamente, eliminar os riscos, mas atingir o nível tolerável, já que o risco zero não existe”, afirma.

O estudioso acrescenta que a pressão produtiva sobre os animais afeta a saúde e potencializa os riscos de surtos alimentares. “A intensificação dos processos durante o abate e a evisceração podem aumentar o risco de contaminação da carne de frango. O setor avícola é sensível a notícias relacionadas a riscos em segurança alimentar que possam afetar a credibilidade do setor”, comenta.

França destaca que a credibilidade do mercado passa pela inspeção sanitária. Para ele, o desafio para melhorar a competitividade da avicultura brasileira está no campo, trabalhando para compreender as causas das condenações. “Cabe ao Mapa e às empresas tornar os dados de condenação ferramentas aplicáveis de gestão, garantindo sua credibilidade e aplicabilidade. É necessário desenvolver e implementar um modelo de inspeção diferenciada para abatedouros cuja escala produtiva implique em adaptações de processos, baseado na análise de riscos”, pondera.

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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