Mercado Internacional - 02.04.2018

Brasil pode se beneficiar com tarifas chinesas a produtos dos EUA

Governo chinês anunciou no domingo (01) a elevação de tarifas em até 25% sobre 128 produtos dos Estados Unidos, entre eles carne suína

- REUTERS/Hyungwon Kang

A China elevou tarifas em até 25% sobre 128 produtos dos Estados Unidos, de carne suína congelada e vinho a certas frutas e nozes, ampliando a disputa entre as duas maiores economias do mundo em resposta às tarifas norte-americanas sobre as importações de aço e alumínio.

As taxas, que entrarão em vigor nesta segunda-feira (02), foram anunciadas no final de domingo (01) pelo Ministério das Finanças da China e correspondem a uma lista de tarifas potenciais sobre até US$ 3 bilhões de produtos dos EUA publicada pela China em 23 de março.

Pouco depois do anúncio, um editorial no tabloide chinês Global Times alertou que se os EUA imaginavam que a China não retaliaria ou adotaria medidas apenas simbólicas, pode agora “dizer adeus a essa ilusão”. “Embora a China e os EUA não tenham dito publicamente que estão em uma guerra comercial, as faíscas de tal guerra já começaram a voar”, disse o editorial.

O Ministério do Comércio da China afirmou que estava suspendendo suas obrigações com a Organização Mundial do Comércio (OMC) de reduzir tarifas sobre 120 produtos dos EUA, incluindo frutas e etanol. As tarifas sobre esses produtos serão elevadas em mais 15%.

Oito outros produtos, incluindo carne suína e resíduos de alumínio, estarão sujeitos agora a tarifas adicionais de 25%, completou, com as medidas entrando em vigor a partir de 2 de abril. “A suspensão pela China de suas concessões tarifárias é uma ação legítima adotada sobre as regras da OMC para proteger os interesses da China”, disse o Ministério das Finanças chinês.

A China está agindo rapidamente com medidas retaliatórias em meio ao aumento das tensões comerciais entre Pequim e Washington, o que afetou os mercados financeiros globais na última semana com os investidores temendo uma disputa comercial em larga escala entre os dois países.

O presidente dos EUA, Donald Trump, está separadamente preparando tarifas de mais de US$ 50 bilhões sobre produtos chineses com a intenção de punir Pequim diante das acusações dos EUA de que a China se apropriou incorretamente de propriedade intelectual norte-americana, alegações que Pequim nega.

O Brasil

Há duas semanas, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, disse que os embarques brasileiros de carne suína poderiam ser beneficiados com a possível elevação da tarifa de importação da China aos Estados Unidos. Com o embargo russo, o país asiático assumiu, em fevereiro, a liderança entre os maiores compradores de carne suína do Brasil, importando 11,959 mil toneladas no mês (o equivalente a 28,4% do total).

“Houve um notável incremento nos negócios com o mercado chinês no primeiro bimestre deste ano. Neste contexto, o Brasil sempre manifestou seu interesse em fortalecer as parcerias pela segurança alimentar na China. Vemos que, a partir deste novo cenário, esta parceria pode ser significativamente ampliada, reduzindo os impactos do embargo russo”, ressalta o presidente da ABPA.

Em 2017, os Estados Unidos exportaram para a China o equivalente a 275 mil toneladas de carne suína in natura, gerando receita de US$ 488 milhões (fonte: Trademap).  No mesmo período, conforme a ABPA, o Brasil embarcou 48,9 mil toneladas para o território chinês, com receita de US$ 100,6 milhões.

Fonte: Reuters com informações ABPA

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