Produção - 08.10.2018

Brasil não tem onde armazenar 1/3 da safra recorde de grãos

Estudo indica que baixa capacidade de armazenagem nas propriedades rurais força o produtor a comercializar e escoar suas safras na época de preços mais baixos e de fretes mais caros

- Arquivo/OP Rural

Segundo estimativa de maio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de grãos de 2018 vai superar, novamente, suas projeções iniciais. O resultado deve ser o segundo maior da história, com previsão de mais de 232 milhões de toneladas, ganho de 1,3% em relação ao relatório do mês anterior. Além disso, a estimativa para a área plantada, que antes era de 61,5 milhões de hectares, cresceu 1,1% em relação ao ano passado. Ainda de acordo com as perspectivas, os maiores volumes serão de soja e de milho, seguidos pelo feijão, que correspondem a mais de 200 milhões de toneladas.

No entanto, ao mesmo tempo em que os produtores comemoram a colheita, também se preocupam com a armazenagem adequada dos grãos produzidos. O principal gargalo da cadeia produtiva nacional de grãos ainda está no setor de armazenagem: no país, o déficit de armazenagem já bate a casa de 80 milhões de toneladas, o que aponta que o Brasil não tem onde guardar mais de um terço de sua produção agrícola. Hoje, essa defasagem representa para o país a perda de mais de R$ 2 bilhões por ano no mercado de grãos.

Neste contexto, um levantamento feito pela Kepler Weber, empresa de projetos completos para armazenagem e beneficiamento de grãos, mostra que a região Sul é a segunda no ranking da defasagem: mais de 20 milhões de toneladas de déficit de armazenagem.

Ainda de acordo com o levantamento, alguns fatores colaboram para esse cenário brasileiro: baixa capacidade de armazenagem nas propriedades rurais força o produtor a comercializar e escoar suas safras na época de preços mais baixos e de fretes mais caros; no Brasil, as fazendas possuem apenas 16% da capacidade de armazenagem, o que sobrecarrega o transporte e a armazenagem intermediária em épocas de colheita, além de elevar a demanda de estocagem nos portos. Ainda segundo o estudo, o resultado disso é que na época das colheitas dos grãos, os preços pagos aos produtores sofrem um achatamento acentuado, decorrente da alta dos valores dos fretes, das filas de caminhões nas rodovias e da demora prolongada para embarques nos portos. “Além disso, armazenar a safra em terceiros tem custos, que variam entre 9% e 12% do valor do total estocado”, acentua o estudo.

“Nosso país é uma das maiores potências agrícolas do mundo e nossos grãos estão nas mesas de diversos países. Não podemos desperdiçar o trabalho do produtor, mas não há dúvidas: o problema do Brasil em relação às perdas de grãos ainda é recorrente porque os investimentos em logística no setor não são realizados de forma correta. E investir em logística significa abranger toda a cadeia produtiva em diferentes situações: varejo, atacado, armazenagem e atividades portuárias e ferroviárias”, afirma Anastácio Fernandes Filho, diretor presidente da empresa.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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