Sanidade Animal - 06.03.2017

Biosseguridade e a escolha do desinfetante

Escolha dos produtos a serem utilizados para um programa de biosseguridade é uma etapa de extrema importância

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Pablo Vilela, diretor geral da Theseo Brasil, médico veterinário e administrador de empresas

O termo biosseguridade é comumente utilizado em ciência animal para se referir a uma gama de ações relativas à preservação da saúde dos animais, buscando evitar o contato dos indivíduos com patógenos. Estes, além de serem causadores de diversas doenças que impactam em custo de tratamento, também impactam na redução de desempenho zootécnico.

Além do impacto “dentro da porteira” (diretamente na granja), a biosseguridade tem papel fundamental “fora da porteira”, onde o controle de enfermidades específicas é fundamental para manter o status comercial de um país.

O Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de proteína animal do mundo, possui um enorme desafio: manter o status como sendo livre de enfermidades específicas. Isso requer grande esforço não só das autoridades, mas de toda a cadeia produtiva.

A implementação de medidas apropriadas nas granjas para prevenir a introdução e disseminação de doenças contagiosas é essencial para a saúde dos animais. O trabalho deve ser feito em conjunto com técnicos especializados, produtores e fornecedores, de modo que o planejamento das medidas e produtos a serem utilizados seja de forma a criar o programa de biosseguridade mais adequado à realidade de cada propriedade.

A elaboração de um programa de biosseguridade é complexo e passa inicialmente por conhecer a realidade da granja, sua estrutura, instalações, desafios, histórico sanitário, manejo, alimentação, animais e colaboradores envolvidos no trabalho direto e indireto. Com base nas informações iniciais e uma anamnese da situação atual, poderá ser proposto um plano de ação e procedimentos operacionais para compor o trabalho.

A biosseguridade se sustentada por quatro pilares, sendo eles infraestrutura, controle de fluxos, controle de pestes e limpeza/desinfecção.

A escolha dos produtos a serem utilizados para um programa de biosseguridade é uma etapa de extrema importância. A decisão não deve ser feita com base em custo, mas sim fundamentada na relação custo/benefício.

De acordo com levantamentos realizados em granjas no Brasil, o custo total dos produtos utilizados em sanidade e biosseguridade representa menos que 2% dos gastos totais de produção. Desta forma, economizar nestes itens acarreta baixo impacto no custo final de produção.

Um dos produtos mais importantes em um programa de biosseguridade é o desinfetante. Alguns fatores devem ser avaliados antes da eleição do produto, como por exemplo espectro de ação, produto testado, estabilidade, eficiência em diferentes condições ambientais, segurança, corrosão.

Fatores que devem ser avaliados antes de escolher o desinfetante

Espectro de Ação: o desinfetante deve ser eficaz contra bactérias, fungos e vírus e preferencialmente contra a maior gama possível de patógenos e cepas.

Testes: Testes laboratoriais devem ser apresentados/realizados para comprovar a eficácia contra estirpes laboratoriais e de campo dos principais patógenos que acometem a produção animal.

Estabilidade: A estabilidade dos produtos disponíveis no Brasil varia de seis meses a três anos. Este ítem demonstra a qualidade das matérias primas utilizadas na formulação.

Eficiência em diferentes condições ambientais: O desinfetante deve ser eficaz sob altas e baixas temperaturas. Sua eficiência deve se manter igual sob condições adversas de pH e água dura.

Segurança: O desinfetante deve ser seguro para os animais e para o usuário, não exercendo toxidez, efeitos carcinogênicos ou mutagênicos. Deve ser biodegradável, não deixando resíduos no ambiente.

Corrosividade: Como a utilização de desinfetantes em instalações pecuárias é muito frequente, o produto não deve ser corrosivo à estrutura - metais e plásticos.

De acordo com a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), as doenças impactam negativamente em 20% na produção animal do mundo. Estes prejuízos podem ser ilimitadamente maiores em casos de surtos de enfermidades, como a Influenza Aviária.

A intensificação da produção e o aumento mundial do trânsito de pessoas, animais e mercadorias implicam em um aumento do risco de transmissão de diversas enfermidades. Tais doenças são passíveis de serem controladas apenas com a implantação de robustos programas de biosseguridade. A boa notícia é que o Brasil possui know how técnico e tem disponível ótimos produtos para a implementação dos programas.

Mais informações você encontra na edição de Aves de fevereiro/março de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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