Postura - 30.04.2018

Biosseguridade de poedeiras é chave para sucesso do Estado de São Paulo

Coordenador da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, Fernando Gomes Buchala, falou sobre sanidade durante o Congresso de Ovos APA

- Arquivo/Defesa Agropecuária/SP

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O médico veterinário e coordenador da Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Fernando Gomes Buchala, fez uma palestra durante o Congresso de Ovos APA (Associação Paulista de Avicultura), que aconteceu de 20 a 22 de março, em Ribeirão Preto, SP. Buchala estava incumbido de falar sobre as atualizações das novas instruções normativas e impacto na biosseguridade de poedeiras comerciais. Em entrevista ao jornal O Presente Rural, ele conta como São Paulo está trabalhando para manter a sanidade avícola em dia e como o produtor está se adequando às mudanças que estão acontecendo na maneira de produzir ovos.

São Paulo é o maior produtor de ovos do Brasil, responsável por uma a cada três unidades. O destaque é o município de Bastos, que tem até festa para a iguaria todos os anos. “O município de Bastos é o maior polo de produção de ovos. Com uma capacidade de alojamento para mais de 28 milhões de aves, Bastos produz aproximadamente 231 ovos por segundo”, cita o coordenador da CDA. Ele explica que o sistema vem sendo inovado com tecnologia e para atender nichos específicos de mercado, mas o sistema tradicional ainda é bastante comum. “Os novos e os grandes produtores já estão adequando suas instalações aos sistemas vertical e piramidal, mas ainda encontramos em todas as regiões do Estado os galpões do tipo californiano e, ainda, algumas iniciativas de criações livres de gaiolas, os denominados caipiras”.

Em qualquer um dos modelos, avalia, os critérios de biosseguridade são fundamentais e devem ser orientados por profissionais. “Em primeiro lugar é preciso a figura de um profissional, médico veterinário, capacitado e apto para atuar em sanidade avícola. Ele é quem deve realizar toda orientação para a implantação das medidas de biosseguridade preconizadas pelas normativas federais e estaduais, que se resumem a adoção de medidas físicas para minimizar a probabilidade de ocorrência de doenças, e de mudança de hábitos de produção, por meio de boas práticas”. Praticas, aliás, semelhantes ao que se adota nas granjas de frango de corte. “Os pontos críticos são aqueles aos quais as instruções normativas preconizaram medidas de mitigação de risco, como o controle do trânsito de veículos e de pessoas, controle de pragas (insetos e roedores), limpeza e desinfecção das instalações e dos equipamentos, tratamento da água, entre outros”.

Pioneirismo em biosseguridade

Ele cita que o Brasil é pioneiro em normatizar questões de biosseguridade, ou seja, transformar exigências em leis, e que apresentou no congresso um breve histórico de tudo que foi implementado até hoje no país. “Durante o congresso foi apresentado apenas uma síntese de todo arcabouço legal que regulamenta a atividade avícola do ponto de vista sanitário e que foi implementado até hoje. Estas normativas, do ponto de vista sanitário, e o objeto de competência de nossa coordenadoria, impactam diretamente no status sanitário das aves criadas com a finalidade de produção de alimentos, refletindo em um produto de maior qualidade ao consumidor. O Brasil é o único país do mundo que adota procedimentos de biosseguridade sob a forma de lei, ou seja, a biosseguridade só aqui é regulamentada por meio de normativas, o que faz do Brasil deter certo pioneirismo na adoção de tais procedimentos”, sustenta.

As normativas que regulam o status sanitário, na opinião de Buchala, são mais rigorosas, exigindo mais empenho do produtor, mas vão assegurar sustentabilidade e controle mais efetivos a todos os envolvidos na cadeia. “Há uma mudança nos paradigmas, principalmente com relação aos hábitos de criação adotados até então, pois o criador, além da implantação de medidas de biosseguridade, deverá adotar procedimentos documentados e registrados, que deverão ser arquivados para efeitos de fiscalização. Considerando que as aves serão criadas em um sistema sanitário mais rigoroso, a indústria passa a receber um produto com maior qualidade e, consequentemente, a oferta de alimentos seguros ao consumidor”, avalia o coordenador da CDA.

Ele explica que o Estado de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) possui um sistema informatizado, contemplando o cadastro de todos os estabelecimentos avícolas localizados no Estado, permitindo a emissão de forma eletrônica da da Guia de Trânsito Animal (GTA) e, consequentemente, a rastreabilidade das aves. Tudo e todos são ‘vigiados’. “A CDA executa atividades de vigilância epidemiológica para as principais doenças de interesse do Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) em granjas de reprodução, comerciais, de subsistência e em sítios de aves migratórias”.

Tendências

Para Buchala, produções livres de gaiolas e de antibióticos vão ganhar espaço, mas vão demandar mais trabalho e atender apenas mercados específicos, sem afetar a produção de postura comercial convencional. “O sistema de criação denominado de cage-free, ou livre de gaiolas, em virtude da preocupação da sociedade de consumo, parece ser uma tendência mundial, e está diretamente relacionado às questões de bem-estar animal. Sanitariamente, segundo alguns autores, este sistema demanda maior atenção quanto à adoção e a execução de procedimentos de biosseguridade. Assim como as questões relacionadas ao bem-estar animal, a utilização de antibióticos nas produções animais também tem sido tema de discussão da sociedade moderna, principalmente quando se observa a proliferação de bactérias multirresistentes. No entanto, o uso de antibióticos sempre foi largamente utilizado e os produtos de origem animal podem ser destinados ao consumo desde que respeitados os períodos de carência.  No entanto, cabe ao consumidor a opção pela escolha, uma vez que estas questões de bem-estar e de “antibiotic free” são nichos de mercado explorados pela indústria.

Compartimentação na postura

Em relação à biosseguridade, Buchala acredita em granjas compartimentadas. “Os próximos passos já estão sendo dados, além da atualização e elaboração de normas para regulamentar o setor, um dos passos mais importantes tem sido o processo de compartimentação das casas genéticas de postura comercial (Hendrix e Hy-Line), sendo que uma delas obteve seu certificado recentemente (Hy-Line) e, talvez em um futuro, que o próximo passo possa ser o processo de compartimentação da postura comercial”.

Ele cita a importância de manter os planteis livres de enfermidades. “A ausência de qualquer enfermidade em qualquer que seja a espécie animal é uma benção para o produtor e para o sistema de defesa agropecuária, pois garante a produção e a fonte de renda do produtor.

Buchala tem mestrado e doutorado em Medicina Veterinária Preventiva pela Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp) e pós-doutorado em epidemiologia pela Universidade da Geórgia, Estados Unidos.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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