Bem-Estar Animal - 02.10.2017

Bem-estar foca em transporte de aves e conforto para poedeiras

Para chefe de Divisão de Elaboração de Projetos e Coordenação de Boas Práticas e Bem-Estar Animal do Mapa, Lizie Pereira Buss, ainda é preciso evoluir na aplicação das recomendações da OIE a nível de campo

- Arquivo/OP Rural

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O bem-estar animal é um assunto que não sai mais da pauta. Isso por conta da importância do assunto em todo o mundo. O Brasil, ao longo dos anos, vem se adequando para cumprir as recomendações da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) em todas as cadeias de proteína animal. As novidades sobre o assunto foram abordadas pela médica veterinária e chefe de Divisão de Elaboração de Projetos e Coordenação de Boas Práticas e Bem-Estar Animal, do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Lizie Pereira Buss, durante o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs), que aconteceu de 29 a 31 de agosto, em São Paulo, SP. Na avicultura, segundo a servidora do Mapa, o bem-estar mira a melhoria do transporte das aves para corte e a ampliação do conforto para as poedeiras.

Esse tipo de melhorias, avalia a profissional, não só garante bem-estar animal e certifica ainda mais o Brasil como um produtor de excelência, mas também melhora a sanidade dos planteis, reduzindo desafios e, consequentemente, o uso de medicamentos e outros aditivos para tratar enfermidades, diminuindo os custos de produção.

De acordo com Lizie, o Brasil segue as recomendações da OIE e busca estar sempre o mais atualizado, conforme conhecimentos científicos. “Para isso, a Coordenação de Boas Práticas e Bem-Estar Animal (CBPA) trabalha em conjunto com o setor privado, sociedade civil e pesquisadores, elaborando projetos para cada uma das cadeias produtivas, buscando melhorias para o bem-estar dos animais e para a sustentabilidade das cadeias, conforme demanda”, esclarece. Ela explica que, por exemplo, para a suinocultura o trabalho atualmente é com transportes e gestação coletiva; já para a avicultura o trabalho também se concentra em transporte e - no caso das aves de postura - estão sendo iniciadas discussões sobre melhores alternativas de alojamento. “Nosso foco é profissionalizar a produção animal, melhorar a gestão das propriedades, a qualidade e inocuidade dos produtos, além de, claro, elevar o grau de bem-estar dos animais envolvidos”, afirma.

Mais saúde

Lizie explica que atendendo a estes objetivos, também é possível suavizar o problema da resistência aos antimicrobianos. “Quando os animais estão sob constante desafio, como estresse, ambiente inadequado, alta densidade, desconforto térmico, entre outros, seu sistema imunológico fica fragilizado, demandando o uso praticamente constante de antimicrobianos e outros medicamentos”, esclarece. De acordo com ela, melhorando o ambiente dos animais, permitindo que expressem comportamentos naturais e que mantenham estados mentais positivos, os agentes da cadeia estão fortalecendo seu sistema imune, auxiliando a prevenção de doenças e reduzindo o uso de medicamentos, o que ainda ajuda a reduzir o custo para os produtores.

A médica veterinária comenta que é sabido que o Brasil tem muitas vantagens comparado a outros países, mas ainda é preciso evoluir na aplicação das recomendações da OIE a nível de campo, “naquilo que for aplicável a nossa realidade”, assim como é preciso desenvolver novos conhecimentos para esta realidade. “Precisamos estruturar a fiscalização e o monitoramento em bem-estar animal para termos dados e informações para mostrar a todos os demais mercados o grau de bem-estar dos animais de produção no Brasil”, afirma. Lizie conta que o Mapa possui vários projetos em andamento para criar o diálogo com produtores, associações, industrias e varejistas, também para fomentar a pesquisa e a capacitação.

Fiscalização

Na opinião da médica veterinária ainda é preciso o Brasil integrar mais a estrutura de fiscalização em saúde animal para monitorar o bem-estar dos planteis. “Da mesma forma, seria extremamente interessante utilizar a base de dados do SIF (SIGSIF) para realizarmos estes monitoramentos, visando direcionar ações mais específicas para estados ou regiões de maior demanda”, comenta. Para ela, esta integração traria uma melhor otimização dos recursos financeiros e humanos e daria ao Brasil argumentos sólidos para favorecer a imagem do produto no mercado nacional e internacional. “Também precisamos evoluir em normativas, pois estas são a base para negociação de equivalência entre os países e é efetivamente a internalização das recomendações nacionais, inclusive é um dos pilares da estratégia mundial de bem-estar animal da OIE, publicada em maio de 2017”, afirma.

Lizie cita que todos os órgãos públicos e privados, produtores, indústrias, veterinários do serviço oficial ou privado, devem entender dos conceitos de saúde e bem-estar únicos para que seja possível promover mudanças benéficas para toda a sociedade.

Mais informações você encontra na edição de Aves de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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