Perdas - 11.05.2017

Avicultura perde 4,5% com mortes e condenações

Processo de rejeições e condenações pretende transferir do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para a indústria responsabilidade sobre condenações não patológicas

- Arquivo/OP Rural

A avicultura brasileira produz 13,14 milhões de toneladas de carne de frango, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mas esse número poderia ser 4,5% maior se o setor não contabilizasse mortes e condenações de carcaças durante o processo produtivo. Nas granjas, dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) sugerem que 2,5% dos animais, em um galpão com 25 mil aves, morrem por causas diversas, sobretudo enfermidades. Nesse lote, são 700 quilos de animais que deixam de chegar à indústria. Outros 2% não chegam à mesa do consumidor por conta das condenações, que podem ter origem patológicas e não patológicas.

Para reduzir a mortalidade durante o período em que o animal está no aviário, profissionais de zootecnia, medicina veterinária, nutricionistas e outros afins, de centros de pesquisa e da indústria química, trabalham com pesquisa de alternativas, aplicação de boas práticas e uso racional de insumos. A matéria gira especialmente em torno da biossegurança, que evita ou reduz o contato das aves com organismos que possam provocar a morte dos animais.

O que vem chamando a atenção do setor, porém são as condenações por causas não patológicas, como contamizações, contusões e fraturas, causados por fatores como manejo inadequado no pré-abate e uso incorreto das tecnologias. Essas condenações acontecem já no frigorífico, conforme critérios de inspeção post mortem adotados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). Uma proposta da ABPA e do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) quer, agora, repassar essa responsabilidade para a própria indústria, deixando s órgãos federais fiscalizadores concentrados nos aspectos sanitários.

As informações são do vice-presidente técnico da ABPA, Rui Eduardo Saldanha Vargas, que falou sobre o tema em palestra que integrou a programação científica do Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) 20177, que aconteceu de 04 a 06 de abril, em Chapecó, SC. Vargas entende que essa divisão de poderes, do SIF concentrado nas questões de saúde pública e animal, e da indústria, nos critérios de qualidade, pode facilitar os trabalhos e contribuir para reduzir esse expressivo número de condenações. “O Brasil produz 33 bilhões de cabeças de frango, mas hoje a avicultura perde cerca de 2% do que produz. É um impacto enorme sob o ponto de vista econômico”, revela o vice-presidente.

“O que estamos fazendo é uma reavaliação de todos os sistemas de inspeção anti mortem e post mortem, pois queremos um enfoque diferenciado. O governo (SIF) vai trabalhar mais focado no aspecto sanitário, de saúde pública e saúde animal. Na atual avicultura brasileira, os problemas sanitários são pequenos, estão bem controlados, até por conta dos sistemas integrados de produção, que nos permitem ter um acompanhamento muito forte sob o ponto de vista sanitário dos animais”, destaca Vargas, que aprofunda o assunto durante sua palestra para profissionais ligados à produção e industrialização da cadeia de aves do Brasil e de países vizinhos. “Com isso, a gente pode diminuir a ação governamental na área de tecnopatias, passando essa responsabilidade de qualidade para a empresa”, avalia.

Para Vargas, a quantidade de rejeições de carcaças ou partes de aves precisa de uma observação com mais esmero. “O que nos chama atenção no atual sistema, pelos grandes índices que apresenta, são as condenações por tecnopatias, que são afecções que aparecem nas carcaças, geradas pelo inadequado uso da tecnologia ou algum defeito tecnológico observado”, explica. Um exemplo pode ser observado na hora da apanha das aves, que podem sofrer lesões e fraturas por descuido ou falta de qualificação dos envolvidos. “As tecnopatias não têm envolvimento com saúde pública, nem com saúde animal. Isso vai ficar a cargo dos controles de qualidade das empresas. A indústria vai assumir o que hoje é feito pelo Ministério (Mapa)”, orienta. “Queremos compartilhar responsabilidades principalmente para tentar reduzir a rejeição e descarte de carcaças”, justifica Vargas.

Indústria já Trabalha

Na opinião de Vargas, repassar essa responsabilidade para a indústria é natural, pois o setor tem conhecimento e já emprega práticas para a redução das rejeições e condenações. “A indústria já trabalha fortemente nesse sentido, incentivando e fomentando o bem estar animal, o manejo pré-abate, o transporte, a preparação do animal”, aponta. “Queremos diminuir o impacto econômico que essas perdas por tecnopatias representam para a avicultura brasileira”, argumenta.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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