Mercado - 15.10.2018

Avicultura de corte deve fechar o ano com queda na produção

Diversos fatores internos impactaram na perda de competitividade da produção de aves e de suínos, segundo ABPA

- Shutterstock

O ano de 2018 tem marcado um dos momentos mais críticos da história para os produtores de aves, ovos e de suínos do Brasil. A suspensão de plantas brasileiras exportadoras de carne de frango pela União Europeia, a continuidade do bloqueio russo à carne suína, a instituição de novos critérios halal por países Árabes e a aplicação de equivocadas medidas de direito antidumping pela China foram alguns dos fatores que colocaram o setor em um período desafiador, cujo ápice ocorreu no fim de maio, durante a greve dos caminhoneiros. Diversos fatores internos impactaram na perda de competitividade da produção de aves e de suínos. Essa é a opinião da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que divulgou em agosto um panorama dos setores no Brasil em entrevista coletiva na cidade de São Paulo, SP.

“Neste contexto, destacam-se a elevação dos custos de produção, especialmente pela alta do milho e do farelo de soja. No caso do milho, a elevação média é de 53% em relação ao mesmo período do ano passado (comparação com agosto de 2017). Já a alta da tonelada de farelo de soja supera 43%. O fator cambial e a redução da oferta de grãos nesta safra impactaram substancialmente este quadro. Como consequência direta desta elevação – além do fato da elevação do preço do transporte - foi o anúncio de importação de milho de países do Mercosul, ocorrido no início deste semestre”, posiciona-se a ABPA.

E segue: “O tabelamento do frete também é um fator de perda de competitividade. A greve dos caminhoneiros mostrou ao Brasil a grande dependência da avicultura e da suinocultura da logística rodoviária. Utiliza, para isto, transportes dedicados – por questões sanitárias – tanto para animais, quanto para produtos. Exatamente por isto, são transportes fidelizados, majoritariamente em distâncias curtas. Com a nova tabela, o custo logístico dos setores apresenta uma elevação média de 35% - chegando próximo de 80% em algumas modalidades, como o transporte de ração”.

Com a somatória destes fatores – tabelamento de frete e elevação dos custos de produção –, avalia a entidade, os preços das carnes e outros produtos de aves e de suínos tendem a aumentar por volta de 15% para o consumidor final.

A Associação ressalta que “as perdas poderiam ser maiores não fosse a forte diversificação de mercados importadores da proteína animal do Brasil. No mercado internacional, grande parte das exportações que antes eram destinadas à Rússia tiveram países da Ásia (China e Hong Kong) e da América do Sul (Chile, Uruguai e Argentina) como destino. Para a carne de frango, China, México, Iêmen, Emirados Árabes Unidos e outros mercados reduziram os impactos do embargo europeu.

Produção e exportação menores

A produção de carne de frango deverá apresentar redução entre 1 e 2% neste ano, em relação às 13,058 milhões de toneladas produzidas em 2017, girando em torno de 13 milhões de toneladas, aponta a ABPA. “Esta redução é puxada pela diminuição no alojamento de pintos de corte, estimada entre 3% e 5%, impactando na oferta disponível de carne de frango”, justifica. No início de 2018, a projeção inicialmente traçada pela ABPA era de crescimento entre 2 e 4%. O consumo per capita estimado para este ano é de 42 quilos (em 2017 foram 42,07 quilos)

As exportações de carne de frango deverão retrair entre 2 e 3% neste ano em relação às 4,32 milhões de toneladas embarcadas em 2017, alcançado neste ano 4,2 milhões de toneladas. No início de 2018, a projeção inicialmente traçada pela ABPA era de crescimento entre 1 e 3%.

As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram 463,1 mil toneladas em julho. O número, 20,6% superior às 384 mil toneladas exportadas no sétimo mês de 2017, é o maior fluxo mensal de embarques já registrado na história do setor. Para agosto, a estimativa de exportação superava 400 mil toneladas, o que deve colocar a média mensal de exportações deste ano próxima das médias históricas registradas em 2016 e 2017.

O desempenho nas exportações gerou receita de US$ 711,1 milhões, saldo 15,7% acima do alcançado em julho do ano passado, com US$ 614,8 milhões. Com o número significativamente maior das exportações do mês passado, o saldo dos embarques registrados em 2018 reduziu os níveis de perdas acumuladas na comparação com o ano anterior.

Entre janeiro e julho deste ano foram exportadas 2,3 milhões de toneladas, volume 8,2% abaixo das 2,505 milhões de toneladas efetivadas nos sete primeiros meses de 2017 (entre janeiro e junho, a retração era de 13,5%). A receita das vendas internacionais neste ano totalizou US$ 3,675 bilhões, número 12,4% menor que os US$ 4,197 bilhões obtidas no ano passado.

Principal destino, a Ásia importou 790 mil toneladas entre janeiro e julho (+1,4%). Para o Oriente Médio, na segunda posição, foram embarcadas 752,1 mil toneladas (-10%). Os países da África, com 323,4 mil toneladas (-15,2%), União Europeia, com 139,5 mil toneladas (-29,2%), das Américas, com 188,9 mil toneladas (+8%), Europa Extra-UE, com 60 mil toneladas (-26,9%) e Oceania, com 1,2 mil toneladas (-3%) completam a lista.

Mercado de ovos cresce 10%

A produção de ovos deve apresentar elevação de até 10% neste ano em relação às 39,9 bilhões de unidades produzidas em 2017, chegando a 44,2 bilhões de unidades. O consumo per capita estimado para este ano é de 212 unidades - em 2017 foram 192 unidades. No início de 2018 a projeção inicialmente traçada pela ABPA era de estabilidade.

As exportações de ovos totalizaram 5,8 mil toneladas entre janeiro e julho, volume 59% superior às 3,66 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2017. Em receita, houve aumento de 84%, com US$ 9,33 milhões de dólares este ano, contra US$ 5,07 milhões em 2017.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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