Sanidade - 28.09.2017

Associação de ácidos orgânicos, probióticos e prebióticos amplia controle de Salmonella

Do ponto de vista nutricional, existem algumas alternativas muito empregadas na redução da contaminação por Salmonella

- Jonas Oliveira/ANPr

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Artigo escrito por Thiago Pereira Ribeiro, zootecnista e mestre em nutrição animal e Engenharia de produtos e P&D da Tectron

O Brasil tem se destacado nos últimos anos no mercado mundial de exportação de carne. Somos o maior exportador de carne de frango e de gado do mundo, o terceiro maior exportador de carne suína. Entretanto, os países importadores têm aumentado significativamente o rigor na escolha dos fornecedores de carne, permitindo a entrada no país apenas de produtos com baixa contaminação, principalmente por Salmonella.

A Salmonella é uma bactéria gram negativa da família Enterobacteriacea, que é dividida em duas espécies, Salmonella Entérica e Salmonella Bongori. Essas espécies da bactéria, por sua vez, são divididas em subespécies e mais de dois mil sorotipos. Os diversos sorotipos podem causar doenças restritas (salmoneloses) a determinadas espécies animais e até ao homem, como Salmonella entérica sorotipo Typhi (humanos), Salmonella entérica sorotipo Gallinarum (galinhas), entre outros.

Com isso, para nos mantermos no topo do segmento das exportações, a indústria alimentícia vem buscando alternativas tecnológicas para reduzir a carga microbiana de Salmonella de seus produtos. Nesse sentido, várias tecnologias têm sido testadas ao longo dos anos com o objetivo de reduzir a contaminação dos animais por essa bactéria. Dentre as ferramentas utilizadas estão a construção de barreiras sanitárias nas instalações zootécnicas, evitando a entrada de fontes externas de contaminação, como roedores, pássaros, insetos e pessoas não autorizadas; maior controle de qualidade de fábrica de rações, através de programas de monitoramento da bactéria, aplicação de práticas de higiene nas fábricas e HACCP, entre outros.

Do ponto de vista nutricional, existem algumas alternativas muito empregadas na redução da contaminação por Salmonella, como os tratamentos físicos da ração, através dos processos de peletização e extrusão, e tratamentos com aditivos, como a utilização de ácidos orgânicos, prebióticos e probióticos.

Os prebióticos são aditivos que alimentam bactérias entéricas benéficas ao desenvolvimento dos animais, aumentando a sua carga no organismo animal e oferecendo a elas vantagem competitiva no lúmen intestinal em relação a alguns patógenos, como a Salmonella. Com isso, o uso da energia que o animal supostamente gastaria com imunidade no combate à infecção seria utilizada para outros fins, como para a produção de carne, leite ou ovos, tendo assim benefício.

Já os probióticos são microorganismos vivos adicionados nas rações, aumentando a sua concentração no intestino, e semelhantemente aos prebióticos, por competição acabam se sobressaindo em relação a patógenos de habitam o trato gastrintestinal. Já os simbióticos são uma mistura entre probiótico e prebióticos, possuindo praticamente a mesma função de ambos.

Outro aditivo bastante empregado no combate a estes patógenos são os ácidos orgânicos nas rações. Os ácidos orgânicos são substâncias naturalmente produzidas por plantas, animais e microrganismos, e apresentam diversas funções no trato gastrintestinal (TGI), como regulação do pH, capacidade aniônica tamponante com cátions de minerais das dietas, aumentando a digestibilidade e absorção desses. Além destas, possuem um efeito antimicrobiano e auxiliam na manutenção da flora e da morfologia intestinal.

Uma ferramenta que pode ser muito eficiente no combate a infecção dos animais por Salmonella é a associação de ácidos orgânicos com probióticos e prebióticos. Um estudo realizado recentemente com frangos de corte em laboratório comprovou a eficiência da utilização dessa estratégia. Os frangos contaminados com Salmonella Enteretidis (SE) e alimentados com rações contendo ácidos orgânicos microencapsulados na forma isolada e na associação com probióticos resultaram na menor contaminação no ceco por esta bactéria em relação a aves contaminadas não tratadas (controle positivo). Além disso, o peso médio desses animais foi semelhante ao das aves saudáveis (controle negativo).

Mais informações você encontra na edição de Aves de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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