Associações do Brasil - 22.03.2018

ASEMG organiza suinocultura mineira em torno de si

Sempre lutando pelos interesses do suinocultor mineiro, há 45 anos ASEMG vem fazendo a diferença quando o assunto é produção e divulgação da carne suína em Minas Gerais

- Divulgação/ASEMG

Quem pensa que mineiro tem entre suas preferências somente o pão de queijo não conhece a fama de apreciador da carne suína que ele ostenta. Se no Brasil o consumo per capita chega a 15 quilos por ano, em Minas Gerais ele sobe para 21 quilos. Em relação ao número de habitantes, é o Estado que mais consome essa proteína no país. As informações são da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), personagem desta edição na Série Associações do Brasil – História e Organização da Suinocultura, do jornal O Presente Rural.

Quarto maior produtor suinícola brasileiro, atrás apenas dos três estados do Sul, atualmente Minas Gerais tem cerca de 273 mil matrizes, o que corresponde a 15,9% do plantel brasileiro e 11% do número total de granjas do país. O abate mineiro é de cerca de 40 mil cabeças/ano, e a exportação chega a 940 mil toneladas/ano. Do total de matrizes, 70% estão associadas à Asemg, entidade que começou sua história 45 anos atrás, criou seus próprios mecanismos para defender o produtor, como A Bolsa de Valores da Suinocultura mineira e um instituto de inteligência para pesquisar todos os dias o comportamento da carne suína no varejo. Tudo para que produtores acertem na tomada de decisões.

Com uma história escrita com muito trabalho e suor, a Associação vem se tornando, nos seus 45 anos, uma verdadeira ferramenta de gestão para os suinocultores mineiros. Criada em 30 de abril de 1972, na cidade de Patos de Minas, a Associação teve, e ainda tem, como principal objetivo defender os interesses econômicos dos produtores de Minas Gerais. Desde a sua criação até hoje, a Asemg tem como missão a defesa dos interesses e direitos dos suinocultores através da articulação política, da busca por remuneração justa ao produtor, ao fomento do consumo da carne suína e do desenvolvimento sustentável da cadeia suinícola.

Valeu o esforço

O primeiro presidente da entidade, já falecido, deixou um discurso que a decisão dos pioneiros ajudou a profissionalizar a suinocultura mineira. No aniversário de 40 anos da entidade, Ary Guimarães, - em memória -, que presidiu a entidade no início dos anos 70 afirmou: “Juntos resolvemos pela criação de uma entidade de classe, e mais de 40 anos depois podemos ter a certeza que valeu a pena. A Asemg está cada dia mais forte e a atividade cada vez mais reconhecida e profissional em nosso Estado”, afirmou à época.

Conquistas

Hoje, aos 45, a Asemg está ainda mais fortalecida. As conquistas foram se acumulando ao longo do caminho. Em 1988, por conta da expansão da atividade além da região de Patos de Minas, os associados decidiram e transferiram a sede de Pato de Minas para Belo Horizonte. Como a atividade evoluiu para outras regiões, não justificava ou seria justo concentrar a sede da associação de toda uma classe em um de seus polos suinícolas. Por conta disso, foi decido pela transferência para a capital mineira, tornando o acesso à associação cômodo a todos os produtores.

Com esta transferência, a entidade passou a ser baseada no Parque de Exposições da Gameleira, mas a evolução da suinocultura exigia novos investimentos. “O espaço da sede era bem pequeno, não suportava de forma adequada a Bolsa de Suínos de Minas Gerais e nem a presença dos suinocultores do Estado. Então batalhamos junto ao Governo do Estado para conseguirmos um terreno, ali mesmo, dentro do parque, e construímos nossa atual sede, que foi inaugurada em 2006 e hoje conta com auditório bem equipado para realização de palestras e para abrigar a Bolsa, uma ampla sala de reunião, subdivisão de setores, além de um amplo espaço gourmet que recebe todas as semanas os associados da entidade”, conta o atual vice-presidente da Asemg, José Cardoso Penna.

Muito bem organizados

Ao longo dos anos de atuação, a associação tomou diversas frentes e atuou em prol do suinocultor mineiro. Entre as ações desenvolvidas está a Bolsa de Valores de Minas Gerais, que segundo o atual presidente da Asemg, Antônio Ferraz, funciona em forma de reuniões, quando o preço do suíno vivo é definido pelos agentes da cadeia. “Através dos encontros semanais, representantes dos suinocultores e dos frigoríficos mineiros debatem e decidem o valor de comercialização do quilo do suíno vivo no Estado”, conta. Ele ressalta que, além das reuniões presenciais, que reúnem suinocultores de todos os polos do Estado e representantes de diversos frigoríficos, existe também uma videoconferência para que os produtores que não puderam comparecer à sede da entidade possam entender o andamento do mercado de suínos em Minas.

Outro projeto desenvolvido foi o Mercominas, um instituto de inteligência de mercado criado em 2013, em parceria com o Sebrae Minas, que semanalmente pesquisa o varejo em Minas Gerais a fim de informar os suinocultores do Estado sobre a forma com que a compra e venda de carcaças e cortes suínos estão ocorrendo para que tenham em mãos dados reais na hora de negociar o preço do quilo do suíno vivo durante a Bolsa de Suínos de Minas Gerais. “Durante muitos anos nós suinocultores entrávamos para a negociação de Bolsa com informações que vinham do dia a dia dos nossos negócios, além do nosso feeling. Não sabíamos exatamente o que estava acontecendo em outros polos, nem mesmo o andamento do mercado dos frigoríficos”, lembra o diretor da Asemg, Roberto Magnabosco.

Ele conta que logo após a instauração do Mercominas tudo se tornou muito mais profissional. “Sabemos quantos animais vivos foram vendidos, quantos estarão disponíveis na semana seguinte, o peso médio destes animais, a venda de carcaças e cortes e seus valores no varejo, além de números que nos mostram o volume negociado no varejo e pretensão de compra para a próxima semana”, afirma. Ele complementa que com base em todas estas informações a negociação se tornou menos intuitiva e mais argumentativa e eficaz.

Da granja para a política

Defender o interesse dos suinocultores mineiros em todas as esferas de governo é também o que vem fazendo a Asemg. “Fazer com que as necessidades do setor sejam ouvidas politicamente também é uma das prioridades da entidade, já que sem a força dos nossos dirigentes, ações ligadas às áreas tributárias, meio ambiente, entre outros temas, ficam restritos ao setor e não saem do papel”, comenta Ferraz. Entre as ações citadas pelo atual presidente estão a criação da Frente Parlamentar da Suinocultura Mineira, em 2013, que reúne deputados apoiadores da causa, tornando o setor mais forte. Outra ação, considerada uma vitória do setor, de acordo com o presidente, aconteceu em 2017, quando o setor foi ameaçado em se tornar G (grande) no potencial poluidor, e através da luta da Asemg, unida ao apoio de outras entidades e à Frente Parlamentar, conseguiu barrar a ação e manter a suinocultura no potencial M.

Central de compras de grãos

Uma ação que a Associação vem desenvolvendo em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e Associação de Avicultores de Minas Gerais (Avimig) é a criação de uma Central de Compras de Grãos. A atividade está mapeando os setores de produção, observando a logística de grãos e trabalhará para que os suinocultores mineiros paguem o melhor preço relativo a grãos, fazendo assim com que o fator de maior complexidade na criação de suínos esteja sob controle para os participantes da Central. “Acredito muito na liderança deste projeto, nos benefícios em termos de escala favorecendo nós suinocultores e avicultores e na sinergia dos produtores beneficiados participando mais ativamente da nossa associação. O ano de 2018 promete ser um ano promissor para a Asemg”, afirma o suinocultor e diretor da associação, Geraldo Magela.

Divulgação da carne suína

Desde sua criação, a Asemg faz campanhas para estimular o consumo da carne suína. Atualmente, são desenvolvidos projetos que incluem informação, degustação e arte. A entidade mostra à comunidade mineira as diversas possibilidades da carne suína, suas vantagens e consequentemente impacta diretamente o alto consumo da proteína em Minas, conta o atual presidente da entidade. “A Asemg atua de forma bastante criativa quando o assunto é o fomento do consumo da carne suína. Criamos eventos diferenciados, como o Pork Rock e o Gastronomia Truck, encabeçados pelo mestre churrasqueiro Daniel Furtado. Somos ainda parceiros em outros, apoiando até mesmo exposições de arte a céu aberto e restaurantes especializados em carne suína, tudo com o intuito de atrair a simpatia da opinião pública, o que resulta no incremento de consumo”, menciona.

Além do mais, ainda são feitas palestras para profissionais do setor de saúde e formadores de opinião. “Cada uma delas com uma pegada criativa para garantirmos a frequência e a boa avaliação por parte dos presentes”, informa. Outra ação é a capacitação em forma de ensino e incentivo de profissionais de açougues, seja das casas de carnes ou redes parceiras do Mercominas, mostrando como trabalhar com toda a carcaça suína, levando assim maior lucro ao comerciante e diversidade ao consumidor. “Não é um trabalho fácil, mas certamente os resultados compensam”, afirma o presidente.

Capacitação

Capacitar os associados também é uma ação importante e sempre realizada pela Asemg. Em evento realizado bimestralmente, a associação reúne os maiores suinocultores de Minas na sede da entidade para transmitir conhecimento através de palestras e troca de experiência entre os participantes. “Como suinocultor, sempre que possível compareço e aprecio o evento, que é bem agradável, e posso afirmar que o retorno sempre supera nossas expectativas. A casa está sempre cheia de produtores de todos os polos do Estado, sempre ávidos por informação e um bom papo seguido de um happy hour que tem a nossa proteína como estrela”, conta o produtor e diretor da Asemg, Nelson Lopes.

Mais da ASEMG e do suinocultor mineiro

Desde a sua criação, a associação se preocupa em difundir e fomentar a criação racional de suínos, oferecendo orientações técnicas que vão do melhoramento genético do rebanho até estratégias de divulgação da carne que objetivam o aumento do consumo. A Asemg dispõe de diversas informações de grande importância para o aprimoramento da suinocultura, como dados referentes ao manejo, nutrição, genética, instalações e equipamentos, mercado, além de buscar novidades que possam interessar para o aperfeiçoamento da produção de suínos.

O Triângulo Mineiro, a Zona da Mata e a região centro do Estado são os maiores polos produtores de Minas Gerais. Diferente do Sul, em Minas a produção independente é bem maior: 77% dos produtores mineiros atuam nesse modelo.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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