Áreas - 16.04.2018

Áreas declivosas de pastagens são negligenciadas, aponta pesquisador

Com correto manejo e revitalização, áreas declivosas subprodutivas passam a ter alta fertilidade e são excelente opção para criação de bezerros, de acordo com doutor Elir de Oliveira

- Divulgação

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Um terreno o qual muitos pecuaristas não apostam as fichas e nem dinheiro são áreas declivosas. Mas, e se estiver comprovado que estes são os melhores espaços quando o assunto é a criação de bezerros? Pois foi isso que o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), doutor Elir de Oliveira, apresentou durante o Show Rural Coopavel, que aconteceu em fevereiro em Cascavel, PR. Ele mostrou que com o correto tratamento do solo e das forragens utilizadas, estas áreas se tornam excelentes para a produção de bezerros.

De acordo com Oliveira, pesquisadores do Instituto realizaram avaliações e diagnóstico em algumas propriedades declivosas paranaenses. O que foi constatado é que estes são solos de altíssima fertilidade. “Estes solos só tinham um problema, que era a falta de fósforo. Enquanto deveria haver em torno de 10 a 12 ppm, eles tinham somente 1pmm. E o fósforo é um componente importante, já que sem ele não há qualidade”, informa. Isso mostrou o grande potencial das áreas declivosas, acrescenta o pesquisador.

Oliveira afirma que a cultivar mais vista em áreas de pastagens é a braquiária. “O pecuarista está induzido a chegar na loja de sementes e já pedir a braquiária. Mas existem outras cultivares que são mais modernas e produtivas”, conta. O pesquisador diz que para o produtor que não quer adubar o pasto ou utilizar tecnologia, a braquiária é uma boa opção. Mas, já aquele que pretende ir um pouco adiante e quer ter uma pecuária mais competitiva, procurar outras espécies de cultivar é uma opção.

Pastagens em áreas declivosas semi revitalizadas apresentam um grande potencial na produção de bezerros, confidencia Oliveira. “Com a correta revitalização haverá melhoras nos índices zootécnicos, propiciando uma maior rentabilidade ao pecuarista”, afirma. Mas, para isso, o pesquisador conta que é preciso que o produtor invista mais em adubação das pastagens. “A pecuária muitas vezes não é tratada como uma cultura. O produtor aduba o milho, a soja, mas quando vamos ver a área de pastagem, ele fica até com vergonha de dizer que aquela área é dele”, diz.

O primeiro passo para tornar estas áreas mais produtivas é fazer o correto diagnóstico e ver o que está faltando e o que é preciso fazer. “Então vamos ver se tem erosão, como está a população de pastagem, se não tem buraco no meio”, informa Oliveira. “Depois faremos a fosfatagem, adubação, a semeadura”, continua. Uma dica dada pelo pesquisador é o produtor realizar também a semeadura de aveia, azevém e ervilhaca. “São ótimas culturas para quem também quer garantir pastagem durante o inverno”, confidencia.

Importância do fósforo e nitrogênio

O pesquisador reiterou a importância do fósforo na pastagem. “É o elemento mais barato e de mais fácil acesso. É somente levado pela erosão. Sem contar que é muito móvel na planta, absorvendo da folha até a raiz”, conta. O elemento ainda é responsável pelo crescimento da planta, atuando na multiplicação das células e promovendo o crescimento da raiz. “E esse crescimento é tudo, porque auxilia depois na rebrota”, informa. O fósforo é ainda responsável pela energia da planta. “Sem o fósforo não adianta fazer outras coisas, não tem acordo ou conversa. Não adianta o produtor colocar somente nitrogênio ou calcário e achar que vai ter respostas”, reforça.

Outra dica dada pelo pesquisador é a importância da adubação nitrogenada nestas áreas. “Se você corrigir o cálcio, potássio e ter uma variedade boa de capim, mas não adubar com nitrogênio, com pelo menos 500 quilos por hectare durante o ano, você não vai ter uma pecuária produtiva, tanto de leite quanto de corte”, confessa. É recomendado que se faça essa adubação nitrogenada com uma programação, sendo 50% entre setembro e outubro, e os outros 50% em janeiro, aconselha Oliveira.

Além de corrigir, também é importante fazer o correto manejo das pastagens. “O pasto tem a altura de entrada e saída. Então no outono e inverno é importante fazer a revisão de piquete. Já na primavera é preciso realizar mais sobre semeadura do capim. Isso é essencial para o pecuarista ter uma área competitiva”, informa. O resultado deste correto acompanhamento e manejo é o aumento em até três vezes na produção, além da viabilização econômica da propriedade.  

Carvalho acrescenta que a ervilhaca é uma boa opção para fixação do nitrogênio. Segundo ele, a falta do componente é uma das principais causas de degradação de pastagens. “Isso é uma concordância entre todos os pesquisadores. Não somente manejo, mas na falta de fertilidade a adubação de nitrogênio aumenta a produção”, confirma. Ele explica que o elemento também ajuda no aumento da raiz, número de folhas, reserva de carboidrato, além de auxiliar no aumento da proteína, ampliando expressivamente a forragem e intensificando a produção. “Quando o produtor aduba com nitrogênio a planta entra no inverno produzindo e na primavera antecipa o rebrote. Por isso é importante”, avalia.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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