Ovos - 22.03.2018

Apetite brasileiro sustenta produção crescente de ovos

O Presente Rural visita o município de Cruzeiro do Sul, na região Norte do Paraná, polo de produção da proteína no Estado

- Giuliano De Luca/OP Rural

O brasileiro tem incorporado cada vez mais o ovo em seu cardápio. A proteína que um dia chegou a ser questionada sob suspeitas médicas se tornou uma unanimidade nacional. Conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), de 2010 a 2016 o consumo aumentou de 148 para 190 ovos por ano por brasileiro. Nesse mesmo período, a produção nas granjas saltou de 28,8 bilhões para 39,2 bilhões de unidades. Para dar conta de tamanho apetite, produtores de todo o país trabalham com números exponenciais.

Um deles é o jovem José das Neves, gerente da Granja Harada, localizada em Cruzeiro do Sul, polo produtivo de ovos no Paraná, na região Norte. Ele administra 200 mil galinhas em 40 galpões, mais de 130 mil ovos por dia e 600 toneladas de ração por mês. A produção é destinada aos mercados do Norte e Noroeste paranaense, além de Minas Gerais. O Paraná é o segundo maior produtor de ovos do país, de acordo com a ABPA. O líder é São Paulo, responsável pela produção de um a cada três unidades no Brasil.

“O setor de ovos tem ido muito bem nos últimos anos. Os anos de 2016 e 2017 foram muito positivos, com bons preços de venda e da matéria-prima. Aqui nós produzimos uma média de 370 caixas por dia, distribuídas para as regiões Noroeste e Norte do Paraná, para atacadistas, restaurantes, mercearias. Outra parte vai para o Estado de Minas Gerais. Antes vendíamos também para Rio de Janeiro e São Paulo, mas tivemos muitos problemas de golpes nesses mercados. Por isso, decidimos concentrar nossas vendas no Paraná e em Minas”, revela o gerente. Cada caixa contém 30 dúzias, ou 360 ovos. São cerca de 133 mil ovos produzidos todos os dias, de domingo a domingo. De acordo com ele, a produção tem gerado bons lucros. “Estamos conseguindo bons preços no atacado, mas conseguimos um pouco mais no varejo”, amplia.

José das Neves explica que a granja, que começou as atividades no início dos anos 1980, trabalha com o sistema californiano, em galpões de laterais abertas, com coleta manual, mas arraçoamento automático. “Temos aqui algumas estruturas antigas, do início dos anos 80, quando a granja começou na atividade, mas que ainda funcionam muito bem. São cerca de 40 galpões que abrigam 200 mil aves. Para melhorar o manejo, a distribuição de ração é automática”, explica o gerente. De acordo com ele, as poedeiras têm um rendimento entre 92 e 97%. O rendimento é o resultado do número de poedeiras em atividade versus o número de ovos produzidos por dia. “(O rendimento) varia um pouco, dependendo do manejo, mas a média é de 95%”, explica.

Manejo

A cada 60 dias, um novo lote de 22 mil pintinhos chega à granja. Nesse momento, as galinhas mais velhas, no fim do seu ciclo produtivo, com aproximadamente 600 dias, são descartadas para o abate. Ao longo da vida, as galinhas recebem quatro doses de vacinas para evitar enfermidades e duas debicagens para melhorar a ingestão da dieta. Esse processo é feito por empresa terceirizada.

Depois do pinteiro, onde as aves ficam nos primeiros 42 dias, conta o gerente, elas são destinadas para galpões maiores, já que ganharam peso e tamanho nesse tempo. Lá, permanecem até os 105 dias, quando são alojadas nos galpões californianos para iniciar a postura, explica José das Neves. “Aos 105 dias a galinha vai para a postura. Aos 170 dias começa o seu pico de produção”, conta.

Para garantir uma produção perene, o avicultor aposta em manejo e bom status sanitário. “Nos galpões temos como controlar a temperatura da água oferecida às aves, por exemplo. Além disso, é preciso ter uma boa higiene dos locais e uma boa ração”, argumenta.

Nutrição

De acordo com o avicultor, oferecer rações diferentes para aves em diferentes fases garante que elas mantenham a produção por mais tempo. A Granja Harada tem sua própria fábrica de ração, onde são industrializados e oferecidos às aves 20 toneladas de alimento por dia. “Aqui a gente oferece três tipos de rações: para pintinhos, frangas e aves em postura. Isso porque as necessidades delas são diferentes. Uma ave mais nova, por exemplo, precisa mais energia e menos cálcio, ao contrário da ave mais velha, que precisa mais cálcio para formar ovos com qualidade de casca e menos energia”, aponta o produtor. Para aves em meia idade, amplia, “a gente faz ração intermediária”.

A nutrição, além de milho de qualidade, inclui farelo de soja e de trigo, farinha de carne e ossos, sal e calcário, entre outros ingredientes. Da fábrica, a ração é levada de caminhão até os silos, que automaticamente distribuem a dieta para os galpões. O contato restrito entre os trabalhadores e a ração garante um alimento mais inócuo.

Sanidade

Todos os galpões estão cercados com tela, de acordo com o gerente, para atender a uma recente determinação da Agência de Defesa agropecuária do Paraná (Adapar). Os barracões, no entanto, são abertos, o que pode possibilitar o contato com outros animais ou aves da natureza. Ele explica que as exigências sanitárias estão trazendo desafios maiores para o setor. “Agora a Adapar quer que a gente feche os galpões com telas, mas isso não vai dar muito certo. Não é que nem uma ave de corte, que a cada 42 dias você tira do galpão e faz a lavagem e desinfecção. Nossas aves ficam nos galpões por 85 semanas. Nesse tempo vai voar pena e se prender às telas, entre outros problemas que vão tornar o ambiente pior e a desinfecção mais difícil”, aponta.

Entre os procedimentos de segurança sanitária adotados na Harada, há funcionários específicos para cada área. “Quem trabalha na granja não entra no pinteiro ou na classificação de ovos e vice-versa. É para garantir a questão sanitária”, aponta. O intervalo entre lotes, de ao menos dez dias, também é respeitado. “No intervalo, além de fazer a limpeza, a gente faz manutenção dos galpões”, explica.

Ovos

A cada cinco ovos produzidos na Granja Harada, quatro são brancos e um é vermelho. De acordo com o gerente, há uma preferência do consumidor por ovos brancos, mas seu concorrente é mais valorizado pelo mercado. “A cada quatro galpões de aves brancas temos um de galinha vermelha. O ovo vermelho é mais valorizado, mas a galinha custa 20 centavos a mais (custa R$ 2,90), é mais suscetível a doenças e morre mais. Além disso, temos problemas com roubo de galinhas vermelhas”, ressalta o trabalhador rural.

Depois que são recolhidos manualmente, os ovos seguem para a classificação. Lá, são divididos entre pequenos, médios e grandes. Os ovos são higienizados, passam por rigoroso controle de qualidade de casca para retirar aqueles com pequenas trincas ou manchas internas, e são embalados e destinados à comercialização. Ao todo, a Granja Harada emprega 70 trabalhadores.

Mais informações você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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