Bovinocultura - 05.07.2018

Angus ganha espaço de outras raças no Mato Grosso do Sul

A redução do tempo de permanência no campo, aliado a um mercado consumidor em expansão e a incentivos fiscais, está fazendo a raça Angus ganhar espaço em fazendas do MS

- Giuliano De Luca/OP Rural

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A inseminação artificial é feita aos seis meses. O abate ocorre em 20 meses. A redução do tempo de permanência no campo, aliado a um mercado consumidor em expansão e a incentivos fiscais, está fazendo a raça Angus ganhar espaço em fazendas de Mato Grosso do Sul, um dos principais produtores de carne bovina do país. A precocidade acelera o rendimento das fazendas com mais rotatividade de animais e reduz custos.

O Nelore e o Brahman, abatido geralmente aos 24 meses, está dando espaço ao Angus na Fazenda Chapadão, em Jateí, no Sul de MS. “Nem bem o animal tem seis meses e já está pronto para a inseminação. Estou começando a usar mais Angus, é mais precoce. O abate a gente está fazendo aos 20 meses. Já o Nelore, para o abate é preciso dois anos”, comenta Alessandro Boigues, dono das terras na companhia de mais quatro irmãos. “Hoje temos em torno de 65% do nosso rebanho formado por Angus e 35% de Nelore e Brahman. Para o ano que vem vai mudar. Vamos chegar a 85% de Angus e 15% de Brahman”, assinala Boigues.

O gado criado em piquetes, em sistema de semiconfinamento, recebe ração nos últimos quatro meses para acelerar o ganho de peso. “O boi fica a pasto até a fase final, quando ele começa a receber seis quilos de ração por dia. Nessa fase tem que ganhar 1,2 quilo por dia”, conta.

Alessandro explica que o Angus tem ganhado a preferência do consumidor, é um animal que proporciona excelente rendimento de carcaça, tem uniformidade e é precoce, por isso ele tem optado por ampliar o plantel dessa raça. “O Angus tem atributos que a indústria de carne valoriza na hora que vai comprar do produtor”, menciona. Os lotes são separados em piquetes, que recebem fertirrigação das granjas de suínos que também fazem parte das atividades da fazenda.

Na fazenda, de 360 hectares, a opção é pelo ciclo completo - cria, recria e engorda. “As fêmeas Angus são inseminadas pelo menos uma vez”, cita o produtor sul-mato-grossense. Antes da inseminação, são preparadas para ter um ciclo produtivo sem problemas. “A gente tem uma ração diferenciada para preparar o animal para a recria. É para ter um ciclo melhor”, explica Boigues. Toda a ração vem de indústria própria, instalada dentro da fazenda, o que ajuda a garantir a segurança sanitária, explica o produtor, que também é médico veterinário.

A produção vem aumentando ano após ano, com investimentos feitos na aquisição de áreas e ampliação do rebanho. Em 2019, explica Alessandro Boigues, a meta é entregar mil animais para o abate.

Precoce MS

O programa estadual de incentivo à produção, o Precoce MS, é também um atrativo a mais na hora de escolher a raça do animal que vai a pasto, explica o produtor. Nesse programa, o governo do Estado avalia o produtor a partir de três elementos: o animal, o lote e o processo produtivo. No animal são levadas em consideração características como sexo, maturidade, acabamento e peso. No lote, é observada a padronização dos animais, que precisa ser de no mínimo 60%. Sobre o processo produtivo, o governo avalia se há boas práticas agropecuárias, identificação do animal, associativismo e sustentabilidade.

Além disso, as fazendas precisam estar com as documentações trabalhistas, ambientais e de gestão em dia e precisam fazer a gestão sanitária dos bovinos. O Precoce MS ainda beneficia atitudes para a redução de emissão de carbono. A partir disso, classificam - ou não - o produtor rural. O inventivo vem através de redução dos impostos. “O incentivo pode chegar a R$ 90 por animal”, cita o pecuarista. Para ter o benefício, é importante o envolvimento dos produtores em alianças mercadológicas, como associações ou cooperativas. O desempenho é que define as bonificações. De acordo com o governo do MS, o incentivo é na redução de ICMS. A dedução pode chegar a 67%.

Mercado

Alessandro mostrou preocupação com a greve dos caminhoneiros e a suspensão dos abates nos principais frigoríficos de Mato Grosso do Sul. Ele explica que o mercado já não estava atrativo e piorou com a manifestação que atingiu todo o Brasil.

Ele explica, no entanto, que acredita em uma melhora para os próximos meses, especialmente mais próximo ao fim do ano. “A gente sentiu uma queda no consumo. Estamos exportando menos e então a gente depende do mercado interno. E sabemos que o país vive uma crise. No entanto, acredito que vai melhorar a partir de outubro e ficar bom até dezembro”, sugere o pecuarista.

Além da bovinocultura de corte, a fazenda tem plantio de grãos - soja e milho - e suinocultura. São 5,5 mil matrizes para produção de leitões e 3,6 mil suínos na terminação. Todo o esterco é transformado em biofertilizante e lançado nos piquetes para melhorar o desempenho do pasto ofertado ao gado.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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