Nutrição - 08.05.2017

Água de menos, prejuízo de mais

Oferecer água de qualidade e quantidade para as aves é fundamental para o produtor que busca por um bom rendimento e também saúde para os animais

- Arquivo/OP Rural

São diversos os fatores que o avicultor deve se preocupar para ter uma boa produção. Nutrição, sanidade, bem estar, entre tantos outros. Mas, um que merece bastante atenção e que as vezes acaba passando despercebido é a necessidade da qualidade e quantidade da água que é oferecida para as aves. Fator este que interfere diretamente na saúde e desempenho do animal, tanto na fase de crescimento quanto no momento do abate. É importante que o produtor saiba exatamente a qualidade da água que está fornecendo ao seu animal, como também se há quantidade necessária para a boa desenvoltura. Para falar mais sobre o assunto, o professor doutor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, campus de Jaboticabal, Marcos Macari, palestrou sobre “Água e sua importância nutricional e sanitária” durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó.

Segundo o professor, a formação corpórea dos animais tem 70% de água e 30% de matéria seca. Isso quer dizer que um frango de um quilo tem apenas 300 gramas de matéria seca ou carne, ossos, etc., sendo o restante, água. “Assim, para que as aves se desenvolvam é necessário a água, pois essa pode ser classificada como um macronutriente regulador. Isso significa que todas as reações químicas no organismo ocorrem em meio aquoso. Uma ave pode ficar em jejum alimentar por dias, mas apenas um ou dois dias em jejum hídrico”, conta. Ele diz que o equilíbrio hidroeletrolítico no organismo deve ser mantido, sob pena de perda de regulação da homeostase e morte do animal.

Macari enfatiza que não existe vida sem o nutriente água. “Desde a fertilização, desenvolvimento embrionário e crescimento da ave há necessidade da água. Também reações químicas que ocorrem no organismo dependem da água”, diz. Ele exemplifica, como a formação de ácido clorídrico no proventrículo, formação do íon bicarbonato, entre outras reações. “O desenvolvimento da mucosa intestinal do pintinho recém-nascido é dependente da água. Ela é um nutriente regulador, não fornece energia para a ave, mas é fundamental no desenvolvimento dela”, afirma.

Disponibilidade

Outro ponto destacado pelo professor foi a importância da atenção que deve ser dada pelo produtor quando for feita a elaboração da planta de uma granja. “A primeira e mais importante decisão é sobre a disponibilidade de água. Isso vale também, e muito, para as plantas de abate e processamento, já que, estas últimas, têm um consumo de água muito elevado”, afirma. Macari comenta que a água tem que ser de boa qualidade, tanto física como microbiológica. “A água com propriedades físicas ruins não serve para consumo, ou mesmo para abate e processamento. Servem para limpeza”, diz. De acordo com o professor, água salobra, com alto teor de nitrato, metais pesados, água dura, dentre outras, não são adequadas em plantas de avicultura.

Macari ainda comenta que o custo de adequação dessa água é muito caro e dessa forma imprópria para o setor. “As características microbiológicas são fundamentais para uma água de qualidade. A água não deve conter microrganismos. Obviamente que em galpões há a contaminação natural com microrganismos e isso pode ser resolvido com facilidade”, afirma. Segundo ele, a adição de cloro é o procedimento usual e mais barato. “Assim, se a água tiver 4 ppm de cloro livre no bico da ave é mais do que o suficiente para que ela, do ponto de vista microbiológico, seja adequada”, explica.

Para o produtor que busca oferecer água de qualidade às aves, o professor comenta que primeiro há a necessidade de verificação da disponibilidade de água. Segundo, a verificação da qualidade da água, tanto no aspecto físico como microbiológico. “Satisfazendo essas duas condições, o controle da qualidade acontece por meio da adição de cloro. Recomenda-se também o exame periódico, a cada seis meses, da qualidade da água”, destaca Macari.

Consumo

Ainda de acordo com Macari, há diferença tanto na composição corporal quanto no volume ingerido de água conforme a idade do frango. Ele comenta que aves menores têm mais água corporal do que aves maiores. “Assim, percentualmente varia entre 70 e 60% entre um pintainho e um frango de 2,5 quilos. Como regra comum, pode-se afirmar que o consumo de água é em média de 4 a 7% do peso corporal da ave. Isso também em condições termoneutras, pois em temperaturas elevadas essa relação se altera”, conta. O professor ainda comenta que também pode-se afirmar que existe uma relação de 2:1 entre a quantidade de água ingerida e a quantidade de alimento consumido. “Assim, se a ave ingere 100 gramas de ração, ingere 200 ml de água. Essa afirmação, também, somente é válida em condições termoneutras”, avisa.

O professor destaca que o fornecimento da água de bebida para os frangos depende muito da qualidade da água que é captada para este fim. “Se a qualidade não é boa, não necessariamente há necessidade de tratamento. Contudo, tem que ser considerado a contaminação da água pelos microrganismos existentes no ar, na cama e na ração”, conta. Macari expõe que mesmo que o fornecimento da água esteja sendo feito via nipple, o desenvolvimento de microrganismos sempre pode ser um problema. “No bico do nipple sempre há formação de biofilmes de bactérias, as quais, se patogênicas, pode causar problemas. Dessa forma, a cloração da água é sempre fator desejável na criação dos lotes”, afirma. “Como já comentei, 4 ppm de cloro livre no bico da ave é suficiente para controle microbiológico da água de bebida”, diz.

As diferenças nos resultados finais da ave conforme a quantidade de água fornecida também são visíveis, de acordo com Macari. “Pode-se dizer que a importância da água é tamanha que a ave vai ingerir a água que lhe estiver disponível. Não é oferecida opção para ave dentro do sistema de criação. Temperatura adequada (21 °C), pH adequado (entre 6 a 8), características físicas adequadas, ausência de microrganismos (mesmo coliformes), enfim água potável. Assim, a ingestão de água de má qualidade poderá afetar o desempenho quando: contaminada por microrganismos patogênicos, que a qualidade iniba o consumo (exemplo, pH acima de 10) e água excessivamente salobra (dureza excessiva, maior do que 180 ppm de carbonato de cálcio)”, comenta.

Macari acrescenta que são situações que poderão interferir no consumo de água e, consequentemente, na ingestão de ração. “Os efeitos sobre o desempenho têm muito a ver com a redução do consumo de alimento, como consequência da redução da ingestão de água”, salienta.

Outra questão que deve ser observada, segundo Macari, é a sustentabilidade nas áreas de alta densidade de criação. “Cuidados especiais devem ser tomados, pois a contaminação dos lençóis freáticos poderá, no futuro, comprometer as reservas hídricas. É importante salientar que sem as águas profundas não se tem criação animal, pois a captação de água de chuva representa porcentagem muito pequena das exigências do sistema de criação”, diz. Macari ainda acrescenta que o produtor deve ficar atento ao custo da água. “Normalmente, esse dado não é computado dentro das planilhas de custos na criação”, revela.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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