Nutrição - 05.03.2018

Aditivos fitogênicos para o desempenho do “super frango”

Aditivos fitogênicos de extratos vegetais nutricionais são utilizados na nutrição animal como fonte de nutrientes, tendo objetivos exclusivos na melhora e manutenção do desempenho dos animais

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Giselle D. Gallio, zootecnista da Nutriquest Technofeed

No início dos anos de 1940, obtiveram-se os primeiros dados mostrando a eficiência do uso de antimicrobianos de modo profilático na avicultura. Com essa ferramenta e o desenvolvimento do conhecimento de outras, como ambiência, nutrição e genética, em seis décadas, o frango de corte já atingia quase 40% de peso a mais, ficando menos da metade do tempo a campo. Em 2016, mesmo com as restrições ao uso de antibióticos, tivemos animais a campo com peso vivo de 3kg e conversão alimentar menos da metade do que se tinha há 70 anos. De modo mais didático, os antimicrobianos deram o ponta pé inicial para que o frango que tinha um ganho de peso médio diário de pouco mais de 14 gramas passasse a ostentar, em média, 70 gramas diárias de ganho.

Sendo o Brasil o maior exportador de carne de frango desde 2004 e segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) podendo atingir, em 2017, 38% da exportação mundial e com estimativa de que 45% da carne de frango exportada seja brasileira em 2025, o atendimento da legislação de outros países se faz obrigatório e necessário.

A partir de 1990, houve um grande avanço nas pesquisas envolvendo os estudos químicos e farmacológicos de plantas medicinais, visando a obtenção de novos produtos com propriedades terapêuticas. Quando em 2006 a União Europeia restringiu o uso de antibióticos na produção animal acelerou-se o desenvolvimento de pesquisas de aditivos alternativos fitogênicos.

A legislação

Segundo o FDA (Food and Drug Administration), dos Estados Unidos, aditivos são substâncias adicionadas com a finalidade de melhorar o desempenho do animal, passível de ser utilizada sob determinadas normas e desde que não deixe resíduo no produto de consumo. No Brasil, a legislação vigente (Instrução Normativa 13/04, alterada pela Instrução Normativa n° 44/15) define aditivo como “substância, microorganismo ou produto formulado, adicionado intencionalmente aos produtos, que não é utilizado normalmente como ingrediente, tenha ou não valor nutritivo e que melhore as características dos produtos destinados à alimentação animal dos produtos animais, melhore o desempenho dos animais sadios ou atenda às necessidades nutricionais”.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os aditivos nutricionais podem ser classificados como vitaminas, microminerais, aminoácidos e outros (ureia, nucleotídeos, ácidos graxos, etc.).

Os mais conhecidos e utilizados na produção animal são principalmente os óleos essenciais, que têm características antimicrobianas (altera a permeabilidade da membrana citoplasmática, causando a interrupção dos processos essenciais às células e consequentemente a morte bacteriana), portanto, tratado basicamente como fitoterápico.

Os fitogênicos

Os aditivos convencionais, nutricionais ou não, ocupam aproximadamente 1% do volume da ração, e podem chegar entre 7 e 8% do seu custo. Os aditivos fitogênicos de extratos vegetais nutricionais são utilizados na nutrição animal como fonte de nutrientes, não sendo farmacológicos (fitoterápicos) e tendo objetivos exclusivos na melhora e/ou manutenção de desempenho dos animais.

Segundo Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comercio Exterior (MDIC), em 2012, aproximadamente 6% do custo da ração é composto exclusivamente pelos aditivos que a acompanham. Desta forma, pode-se considerar que 8,5% do custo total de produção de aves e suínos pode ser relacionado a este fator.

Aditivos fitogênicos nutricionais

Quando se considera aditivos fitogênicos para nutrição animal, basicamente trata-se de substitutivos de aditivos convencionais, tendo como principais motivos para essa alteração a busca de melhor viabilidade de custos, melhoria de processos de produção e qualidade de produto final. Para esse nicho, encontram-se basicamente algumas vitaminas e aminoácidos disponíveis no mercado.

Vitaminas fitogênicas

Buscando principalmente reduzir os efeitos da instabilidade das vitaminas no formato sintético, o mercado passou a pesquisar algumas vitaminas de necessidades básicas para a produção animal e principalmente para a qualidade de produção de rações. Vitaminas como a Colina, vitamina C e vitamina E possuem dificuldades de apresentação estável. A Colina, quando no formato de Cloreto, interfere diretamente nas demais vitaminas se misturada no premix. Um estudioso cita que é um produto muito instável e que frequentemente apresenta problemas na concentração. Por outro lado, a vitamina C tem como sua característica natural ser sensível ao calor, luz e oxigênio. Este fato também é visto pelo fato de que aves, sob estresse térmico, diminuem sua síntese, sendo necessário seu fornecimento via ração, enquanto que a vitamina E é altamente sensível à oxidação, sendo necessário a esterificação de acetato para torná-la estável.

Todas a vitaminas de origem herbal disponibilizadas no mercado buscam, impreterivelmente, atender a melhor forma de fabricação de rações para que a qualidade do alimento seja mantida conforme preconizado pelo nutricionista, sem interferência deletéria devido ao formato de estabilização da vitamina a ser utilizada.

Aminoácidos fitogênicos

O uso de aminoácidos fitogênicos disponíveis no mercado segue os mesmos critérios de utilização das vitaminas fitogênicas. Deve-se conhecer a bioequivalência em relação aos aminoácidos convencionais utilizados na nutrição animal para que possam ser integrantes da nutrição.

Considerando os aminoácidos Lisina e Metionina de maior impacto na nutrição animal, as fontes disponíveis no mercado buscam ser alternativas principalmente a processos produtivos. No caso da Lisina, alguns autores citam que a forma sintética é passível de menor digestibilidade, já que pode sofrer reação de Maillard quando a ração é processada em altas temperaturas. Referente a Metionina, pesquisadores citam que fontes vegetais podem substituir de maneira efetiva a DL-metionina (sintética).

Sendo o Brasil grande produtor de carnes, o espaço para pesquisas de nutrientes fitogênicos pode e deve ser mais aproveitado nos próximos anos, trazendo alternativas tanto para nutricionistas quanto para gestores de processos, buscando excelência na qualidade do produto final.

Mais informações você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

ACAV 2018

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