Bem-Estar Animal - 26.03.2018

A granja em que falar palavrão é proibido

Para trabalhar na propriedade suinícola de Ivacir Cerutti, em Toledo, PR, é preciso ser bem educado com os animais

- Giuliano De Luca/OP Rural

Se engana quem acredita que educação e respeito são virtudes que devem ser empregadas somente na relação entre seres humanos. Para o produtor rural Ivacir Cerutti, de Toledo, PR, esse é o tipo de atitude que não pode faltar dentro das granjas de suínos da família. “Aqui não pode falar alto, não pode ficar falando palavrão, nada disso”, dispara o produtor, que justifica: “é para o bem-estar dos animais”. E parece que funciona: “32 desmamados/fêmea/ano”, garante Cerutti.

O zelo pelo bem-estar dos suínos impressiona. O silêncio na maternidade no interior do município é incomum. Por vezes não se escuta um barulho sequer. De fora, a impressão é que a granja está vazia. Dentro, os animais mamam, passeiam, dormem, tudo na mais absoluta calmaria. A limpeza é outro ponto que chama atenção. Ambiente limpo, suínos rosados, com a garantia de que não fez o preparo especial para a foto. “Aqui é sempre assim”. Quando questionado sobre o ambiente limpo e silencioso, Cerutti ri e diz que “tem que ser assim”. “Se o animal está gritando, está estressado, ele não está bem”, aposta o produtor, que cria 450 fêmeas em ciclo completo e comercializa cerca de mil animais terminados por mês.

De acordo com ele, os funcionários sabem bem o papel que fazem na propriedade. “Aqui não pode falar alto, não pode ficar falando palavrão, nada disso. Um bom ambiente de trabalho ajuda as pessoas, mas ajuda até os bichos”, assinala o produtor. De acordo com ele, formas de manejo adequadas são usadas na propriedade. “Se o suíno não quer ir para o lado, a gente pode usar um pano para direcionar. A gente tem que usar o cérebro, não tentar enfrentar um animal de 150 quilos”, exemplifica. Ao todo, oito pessoas estão diretamente envolvidas na atividade suinícola da propriedade.

O tempo ensina

A família produz suínos desde os anos 1980 no município que mais produz essa proteína no Estado do Paraná, segundo maior produtor de carne e dono do maior plantel do país. São cinco irmãos, quatro deles dedicados à agricultura, e Ivacir, que gerencia a produção suinícola. Nesses anos, conta, foram adaptando maneiras de produzir à medida que a atividade ganhava mais importância na propriedade. “Nos anos 80 começamos com 30 porcas, mas a criação era feita daquele jeitão. Em 1992, ampliamos para cem matrizes, sempre com ciclo completo. No ano de 2000, já eram 400 fêmeas. Isso foi até 2001, quando ainda éramos integrados da Sadia”, conta.

A independência na produção veio com a tendência que a família teimou em não aderir no início dos anos 2000. “Entre 2001 e 2002 a gente percebeu que o ciclo completo (na integração) iria acabar. A Sadia passou a querer só o leitão. Foi então que ampliamos galpões de engorda e passamos a 450 matrizes, com ciclo completo, de forma independente, e mantemos isso até hoje”, menciona Cerutti.

Nutrição

A propriedade conta com maternidade, crechário e terminação. A nutrição é levada a sério pelo produtor. Na creche, a ração é distribuída por equipamentos automáticos, reduzindo custos e evitando erros de manejo. Na terminação, o arraçoamento ainda é manual, mas isso, de acordo coo o produtor, se “corrige” com dedicação na hora do trabalho. Praticamente toda a ração vem da propriedade. “Temos 140 alqueires, onde é plantado milho para a dieta dos suínos. Isso nos garante entre 85 e 90% do milho que precisamos. Também temos silo, moega e a fábrica de ração”, enumera.

A comercialização é feita para compradores da região, que garantem segurança na hora do pagamento. “O atravessador é uma segurança para nós, produtores independentes”, comenta o paranaense. De acordo com ele, os suínos saem da granja com peso entre 100 e 110 quilos, após 150 a 160 dias na propriedade. São em torno de mil animais vendidos por mês.

A Independência

Para produtores independentes, gerenciar o custo de produção é praticamente a diferença entre o sucesso e o fracasso do negócio suinícola. Cerutti explica que o empreendimento, sem o apoio de cooperativas ou integradoras, é mais arriscado, porém mais rentável. “O ano de 2016 (quando o preço do milho disparou) foi horrível para nós. Mas em 2017 conseguimos ganhar dinheiro”, assume.

O produtor questiona o modelo de integração, que, em sua opinião, acaba pagando sempre os mesmos preços aos integrados. “Os integrados sempre ganham praticamente a mesma coisa. Acho estranho isso, pois a energia fica mais cara, o salário do funcionário sobe”, analisa. “No entanto, se não fossemos uma empresa familiar, com logística adequada, seria mais difícil sobreviver na atividade”, avalia Cerutti.

Ele espera que o cenário para este ano seja bom para o suinocultor, mas entende que o sucesso do milho safrinha é que vai determinar se esse cenário promissor se confirma ou não. “Eu espero um 2018 bom, afinal a gente tem que ser otimista, temos que entrar nesse novo ano animados. É difícil prever, mas acho que vai ser bom. Tudo vai depender do milho. Se tiver uma boa safrinha, vai ser ótimo, se a safra for ruim, muda o cenário”, destaca.

O Presente Rural encontrou em Toledo uma granja onde até as palavras são medidas para não afetar a produção. Parecem medidas bobas, mas ajudam a fazer o município paranaense ser referência para produtores de todo o Brasil.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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