- 26.12.2017

A escolha contra a circovirose pode impactar no desempenho dos leitões?

As vacinas mais eficazes apresentam como principal diferença um de seus componentes, o adjuvante, que é responsável pela ativação do sistema de defesa no suíno

- Divulgação

Artigo escrito por Daniele de Lima, médica veterinária, mestre em Ciências Veterinárias e consultora Técnica de Suinocultura da Boehringer Ingelheim Saúde Animal 

A vacinação é uma das ferramentas mais efetivas na prevenção de circovirose, pois tem a função de reduzir sinais clínicos, evitar as mortalidades pela doença e melhorar indicadores zootécnicos. Existem no mercado brasileiro diversas vacinas para o controle da circovirose. As vacinas mais eficazes apresentam como principal diferença um de seus componentes, o adjuvante, que é responsável pela ativação do sistema de defesa no suíno. Os adjuvantes classificam-se em oleosos e aquosos. Normalmente, adjuvantes oleosos causam efeitos colaterais não desejáveis após a aplicação da vacina.

Esses efeitos negativos, causados pelas vacinas contra circovírus que têm adjuvantes oleosos, geralmente passam despercebidos na granja pela grande maioria dos profissionais da área, mas provocam reações locais e sistêmicas, como inchaço no local da aplicação, aumento de temperatura corporal de até 2º C (febre), letargia e redução do consumo de ração. Visualmente estas reações são passageiras, mas é “aí que mora o perigo”, pois escondem impactos diretos no ganho de peso diário do animal e ainda, casos de granulomas e abscessos que podem persistir até o abate.

Existem diversos trabalhos na literatura demonstrando que o uso de vacinas de circovírus reativas (com adjuvantes oleosos), atrasa o crescimento do leitão na fase de creche. Essa perda pode variar de 500 gramas a 1,2Kg aos 63 dias de vida.

Apesar de toda essa informação, ainda existiam algumas dúvidas: Será que esse atraso no peso é compensado na fase de crescimento e terminação? Será que a vacina de circovírus para ser eficaz deve ser reativa? Para responder essas e outras perguntas, avaliações de campo foram realizadas em diferentes realidades de granjas brasileiras, no decorrer deste ano pela equipe da Boehringer Ingelheim e seus parceiros.

Em todas as quatro avaliações o objetivo principal era comparar o ganho de peso, do desmame até o abate de leitões vacinados para circovírus com vacina reativa (com adjuvante oleoso) contra leitões vacinados para circovírus com vacina não reativa (com adjuvante aquoso).

No dia do desmame e antes da vacinação, todos os leitões foram individualmente identificados com brincos, pesados um a um e distribuídos de forma aleatória em dois tratamentos, sendo que o peso médio inicial foi igual nos dois grupos.

Foram avaliados sempre 2 tratamentos: T1 - vacina de circovírus não reativa (dose única de 1 mL) e T2 - vacina de circovírus reativa (dose única ou duas doses). Cada grupo de leitões foi vacinado pela via intramuscular com seu respectivo tratamento, seguindo o protocolo recomendado de cada fabricante.

Outro detalhe importante é que todos os animais de cada avaliação foram alojados no mesmo galpão de creche e no mesmo galpão de terminação, ou seja, todos os manejos de rotina foram mantidos, de modo que os animais foram submetidos às mesmas condições ambientais e nutricionais durante o trabalho de campo. As pesagens foram feitas no desmame, saída de creche e no final de terminação.

Vacina não reativa (dose única) versus vacina reativa (dose única)

Na primeira avaliação conduzida em uma das maiores agroindústrias de Santa Catarina (SC), foram acompanhados 400 leitões (200 vacina não reativa x 200 vacina reativa) até o abate. O desempenho dos animais vacinados com vacina não reativa foi melhor, representando um ganho de 1,2 kg a mais no peso de abate. Uma avaliação semelhante foi conduzida em uma agroindústria do Rio Grande do Sul (RS-1), sendo o peso médio final ao abate 1,21 kg melhor no grupo com suínos vacinados com vacina não reativa.

Vacina não reativa (dose única) versus vacina reativa (duas doses)

A primeira avaliação foi realizada em uma granja multiplicadora no estado do Rio Grande do Sul (RS-2). Foram acompanhadas 54 leitoas desmamadas destinadas à reprodução até o momento da seleção (150 dias de vida). As leitoas que receberam vacina não reativa ganharam 1,1 kg a mais na fase de creche e pesaram 4,4 kg (p < 0,05) a mais aos 150 dias de vida. O aproveitamento de leitoas para reprodução vacinadas com vacina não reativa foi 11% melhor em comparação ao grupo que recebeu vacina reativa.

A segunda avaliação foi realizada em uma cooperativa do Paraná (PR). Foram utilizados 400 leitões, os quais foram divididos em dois grupos (vacina conjugada de circovírus e Mycoplasma hyopneumoniae não reativa dose única x vacina conjugada de circovírus e Mycoplasma hyopneumoniae reativa de duas doses). O desempenho dos leitões vacinados com vacina não reativa foi melhor, com peso de saída de creche 400 gramas superior ao grupo que recebeu vacina reativa. Alguns dias antes do abate os animais foram novamente pesados individualmente e a diferença que era de 400 gramas no final de creche aumentou para 2,2 kg (p < 0,05) no peso médio final para os animais do grupo que recebeu a vacina não reativa.

Nas quatro avaliações de campo brasileiras, não foram observados casos clínicos ou mortalidades por circovirose, independentemente da vacina utilizada, pois todas as vacinas avaliadas atenderam o propósito de prevenção da circovirose.

Reações

Durante os estudos, foi frequente em leitões que receberam a vacina reativa frente o circovírus, a ocorrência de inchaço no local da aplicação, letargia (apatia e sonolência), febre e redução do consumo da ração pelos animais caracterizando o quadro de narcolepsia transitória, que é bastante intenso após a aplicação da segunda dose da mesma vacina.

Em resumo, nas quatro realidades distintas foram avaliados individualmente 1.254 leitões e o peso final foi impactado negativamente pelo uso de vacinas reativas frente ao circovírus, com diferenças variando entre 1,2 kg a 4,4 Kg a menos. Este impacto negativo no desempenho é decorrente da reação adversa causada pelo adjuvante oleoso das vacinas reativas utilizadas, observada inicialmente na fase de creche pelo baixo consumo de ração. A perda de desempenho iniciada na creche não foi recuperada no decorrer da vida do leitão, mas persistiu e se multiplicou durante a fase de terminação.

Considerando estes resultados obtidos no Brasil, é importante que todos os envolvidos na produção de suínos reflitam sobre o velho paradigma de que as reações adversas (leitão com febre, sem apetite e com dor) são indicativas de que a vacina está fazendo efeito e que, por isso é boa. Devem ter em mente que nos dias atuais existem tecnologias aplicadas na produção de vacinas não reativas seguras com adjuvantes inovadores e modernos que possibilitam, inclusive, aplicação de apenas uma dose com proteção duradora e efetiva contra a circovirose.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

PORK EXPO 2018

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

SHOW RURAL 2018ACSURSPORK EXPO 2018