Sanidade - 02.10.2017

A cascata de prejuízos das micotoxinas

Entre os problemas estão maior suscetibilidade a patógenos, redução de ganho de peso, redução de fertilidade e resposta irregular a vacinas

- Arquivo/OP Rural

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Micotoxinas são toxinas produzidas por fungos em alimentos de todos os gêneros. A alta incidência no milho, principal matéria prima das rações animais, desafia o suinocultor moderno, pois causa prejuízos em cascata para o plantel. O tema foi destaque durante o 10º Simpósio Internacional de Suinocultura, que reuniu profissionais do setor entre os dias 16 e 18 de maio, em Porto Alegre, RS.

Doutor em Medicina Veterinária na especialidade de Micologia, o professor da Universidade Federal de Santa Maria, Janio Morais Santurio, falou sobre o efeito imonussupressor das micotoxinas sobre os suínos. “Até os anos 2000, só se estudavam os efeitos zootécnicos da micotoxina na suinocultura. Depois começou-se a observar efeitos indiretos das micotoxinas, como imunidade”, destacou.

De acordo com ele, “o trio que provoca problemas” é formado pela Aspergillus SP., Fusarium SP., e Penicillium SP. - essa cresce em temperaturas baixas. Existem várias toxinas ao mesmo tempo na nutrição. O suíno responde com a imunidade inata (ao nascer) e depois com a imunidade adquirida, com os linfócitos que vão gerar anticorpos e imunidade celular. Elas causam efeitos hepatotóxico, carcinogênico e imunotóxico.

Com efeito sob doenças infecciosas, pode, por exemplo, aumentar o tempo de diarreia e aumentar o número de óbitos. “Os tricotocenos, especialmente o DON, provocam fatores colaterais de patogenia”, destacou.

O estudioso citou uma cascata de prejuízos aos suínos até chegar à perda econômica do produtor que alimenta seu plantel com doses elevadas de micotoxinas. Primeiro, as micotoxinas aumentam a suscetibilidade a patógenos, depois causam redução de ganho de peso, redução de fertilidade e resposta irregular a vacinas. Todos esses problemas e suas vertentes, defende Santurio, se traduzem em perdas econômicas.

“A incidência de micotoxinas é comum. Pequenas quantidades de toxinas fúngicas podem afetar principalmente o sistema imune dos suínos. A ocorrência de mais de uma micotoxina na mesma amostra apresenta possíveis interações sinérgicas. Na suinocultura, esses efeitos levam à queda de produtividade, uma vez que a integridade do sistema imunológico tem papel fundamental no crescimento e desenvolvimento do animal”, concluiu o professor.

Situação Brasileira

A situação brasileira em relação à ocorrência de micotoxinas em alimentos para suínos é de assustar. De acordo com um estudo de 2017, divulgado pela zootecnista Ines Andretta, professora doutora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a contaminação ocorre em várias etapas, que vão desde a produção do cereal, na hora da colheita e no armazenamento, variando de 13% a 77% das amostras, dependendo da toxina.

O trabalho que buscou mostrar a ocorrência atual de micotoxinas no Brasil aponta que 13% das amostras de milho analisadas tinham a toxina T2. A incidência só aumenta: 14% para Afla, 50% para ZEA, 73% para FUM e 77% para DON.

A presença de micotoxinas está bastante aguda também no trigo. De acordo com o levantamento, a FUM estava em 14% das amostras. Afla (16%), T2 (22%), ZEA (37%) e DON (68%) também foram identificadas.

Na soja, que também compõe a nutrição animal, o estudo identificou a T2 em 20% das amostras analisadas, Afla em 24%, FUM e ZEA em 38% e DON em quase a metade das amostras (48%).

De acordo com a pesquisadora, animais mais jovens são mais suscetíveis às micotoxinas, pois “são imaturos para trabalhar a detoxicação”. Para contornar o problema, muitos produtores usam adsorventes de micotoxinas nas dietas das rações, eliminando ou reduzindo os riscos e impactos desse inimigo invisível.

“Os suínos estão entre “os top três” ou quem saiba seja o mais sensível a todas as micotoxinas. Existe uma variação gigante dos animais quando comem dietas contaminadas. Os animais perdem muito peso ou reduzem o ganho de peso”, destacou Andretta. Para mensurar melhor as perdas, a doutora sugere trabalhar com meta-análise, uma forma estatística de dados de origens diferentes, a partir de bancos de dados já existentes, para extrair novas informações. “Com a meta-análise o profissional ganha poder analítico maior”.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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