Piscicultura - 08.01.2018

A cara da competência rural

Casal de Palotina, PR, não descansa enquanto não vê todos os cantos da propriedade cultivados, nem que sejam com flores

- Giuliano De Luca/OP Rural

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Quem olha os amigáveis senhor e senhora Sponchiado na cadeira da área de casa nem imagina que por trás daqueles rostos simpáticos estão dois gigantes na arte de extrair o máximo potencial que a terra tem a oferecer. Para onde se olhe tem algo sendo produzido. São nove alqueires muito bem aproveitados pelo casal Ari e Rosane, em Palotina, no Oeste paranaense. A propriedade conta com três aviários com 75 mil aves, três alqueires para o plantio de milho para silagem, que é a dieta básica das 40 vacas leiteiras de alto desempenho. Há ainda pasto e, em outros 23 mil metros, a produção de 67 toneladas de tilápias a cada seis meses. É renda que vem de cada cantinho daquele chão.

Cada cantinho mesmo! Até do banhado. “A propriedade era do pai do Ari. Acabamos ficando por aqui, mas não era a terra que todo mundo queria, porque tinha uma área de banhado”, conta Rosane. “Acabamos transformando aquilo em açudes. Uma vez não valia nada, hoje conseguimos tirar alguma renda daquele pedaço. Isso é muito bom”, analisa Ari. “Procuro aproveitar tudo que a propriedade pode me oferecer. Sou pequeno produtor e, para sobreviver, tem que ser dessa forma”, analisa.

Diversificação da produção significa também diversificação de lucros. “Agora, temos renda a cada 30 dias com leite, a cada 60 dias com o frango e a cada seis meses com a tilápia”, assinala o exímio produtor. Cooperado da C. Vale, Sponchiado conta que o ano foi bastante positivo, apesar da baixa no preço do leite no segundo semestre. “Só o leite que caiu um pouco o preço, mas o ano foi bom. Dessa propriedade conseguimos tirar uma boa renda”, argumenta.

Nem sempre foi assim

Dos açudes onde eram cultivados peixes eram tarrafeadas desilusões. Nos últimos anos, o casal parou com a piscicultura por conta dos seguidos calotes que recebia em troca da produção. “Eu trabalhava com peixes, por conta, a quase 20 anos. A gente produzia, vendia, mas o problema estava na hora de receber. Um ano recebia, outro ano não”, lembra Ari. “Os compradores vinham aqui, levavam o peixe, davam um cheque de 10-15% do valor, e era sem fundo”, lamenta a produtora. Os prejuízos que os açudes traziam fizeram o casal parar.

Com os calotes, apareciam dívidas. “Você não recebe, mas teve que pagar toda a ração. É um custo muito elevado. O produtor sozinho raramente vai conseguir se manter. Tem que ter muito dinheiro para girar”, menciona o paranaense. O casal e outros lesados da região abriram um processo judicial, que cobra R$ 1 milhão de um comprador.

Inquieto por ver os açudes ociosos, Ari decidiu procurar a cooperativa, que inaugurou em novembro o maior frigorífico de peixes do Brasil e está aglutinando piscicultores para suprir a demanda da planta industrial. “Não tive nem dúvida. Fui atrás da C. Vale para ver o que eu podia fazer para voltar a produzir. Sei da idoneidade dessa firma. E deu certo. Reformamos os açudes, fizemos um acesso com estrada livre e alojamos em 17 de dezembro de 2016. No dia 20 de julho do ano passado saiu a primeira despesca”, conta o produtor.

Nos 23 mil metros de lâmina d’água, foram produzidas 67 toneladas de peixe. De acordo com a C. Vale, o primeiro lote de Ari e Rosane ficou sete meses nos açudes e alcançou média de 765 gramas por tilápia. Ainda conforme a cooperativa, a produção rendeu R$ 57 mil brutos e deixou rentabilidade de 52%, ou cerca de R$ 30 mil. “Produzi em menos de um alqueire o equivalente a mil sacos de soja”, comemora Ari.

Facilidade e Segurança

“Em três dias (após a despesca) o dinheiro já estava na conta”, cita o produtor, destacando a segurança que a cooperativa traz para seu negócio. “Quando a gente viu o dinheiro, nem acreditava de tão bom, porque antes era muito diferente”, sintetiza a produtora.

A integração com a cooperativa, na opinião de Ari, gera confiabilidade e garantias para o produtor, além de facilitar o processo produtivo. “A cooperativa dá os alevinos, a ração e a assistência técnica. Eu cuido do manejo. Isso facilita muito para o produtor. Outra questão é a segurança de você receber pelo que produz”, evidencia o cooperado.

Ele acredita que produtores que também foram vítimas possam se reafirmar na atividade por meio da parceria com a cooperativa. “Acredito que muitos tanques serão reativados na nossa região. Eu quero produzir, o produtor quer produzir, e a C. vale precisa de produção. Não tem como não dar certo”, sintetiza.

O novo lote de pescado deve sair dos açudes entre maio e abril de 2018. Enquanto as tilápias engordam, o milho e o capim crescem, as vacas produzem leite, as aves ganham peso e Ari e Rosane continuam na tarefa diária de cultivar o agronegócio paranaense.

Mais informações você encontra na edição do Anuário do Agronegócio Paranaense de janeiro/fevereiro de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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