Opinião - 16.05.2018

Crise do frango: um grande incômodo

Pois um, apenas um que não siga os padrões de conformidade estabelecidas, destrói a todos os outros que fazem corretamente

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por José Luiz Tejon Megido, conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e dirigente do Núcleo de Agronegócio da ESPM 

E lá vamos nós para mais uma crise da carne, agora do frango.

Algo chama a atenção: a crise ocorre na indústria e no frigorífico, e quem cuida da bronca é o Ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Enquanto Marcos Jorge de Lima, o Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços não aparece.

Então o avicultor vai pagar o pato, ou melhor, a salmonella do frango.

Não podemos alegar que a concorrência internacional nos quer mal, pois claro, óbvio, a concorrência nos odeia e sim, nos quer mal. Mas, vale a questão se o maior traidor ou concorrente não está aqui do lado de dentro, na gestão, e no não cumprimento dos exigentes rigores para ter um mercado como o europeu.

Nós aprendemos a produzir com qualidade e custo imbatíveis, mas, precisa ser olímpico, perfeito, impecável. Assim para sempre será. Cabe às organizações da sociedade civil organizada desenvolver autorregulamentação, código de ética, autovigilância e fiscalização.

Pois um, apenas um que não siga os padrões de conformidade estabelecidas, destrói a todos os outros que fazem corretamente.

Agora, na BRF, chamaram Pedro Parente para presidir o conselho. Saímos do Sul e vamos para a Amazônia. Estive no estado do Pará, e afirmo, existe um Pará ilegal. Com mais registros de terras do que terras físicas para entregar, e a insegurança jurídica gera um lado do Pará ilegal.

Mas há também um novo Pará, com cooperativas e empresas que trabalham dentro do mais alto rigor da lei. A logística vai pelo Pará, e o meio ambiente é uma das maiores preocupações do paraense. A pecuária, o cacau – hoje maior no Pará do que na Bahia –, as frutas, a palma, o dendê, onde a melhor do mundo hoje está no Pará.

O futuro do agronegócio brasileiro será do tamanho da inteligência dos seus líderes em serem éticos, sustentáveis, e agirem 100% dentro da lei. A legalidade e a conformidade com os clientes e os consumidores finais, e a justiça e as relações corretas de cada cadeia produtiva é o segredo deste nosso futuro.

Na Amazônia brasileira, precisamos da lei, da vitória de um Pará legal, acima do ilegal.

No agro como um todo, e no caso do frango, que entra numa nova crise, precisamos da responsabilidade dos líderes da cadeia produtiva. Cabe a quem comanda a cadeia, zelar por ela e a representar como ninguém.

Que os avicultores brasileiros não paguem mais esse pato. A culpa não é deles.

Fonte: Assessoria

ACSURS

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